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Homem é preso em Vitória após se passar por policial civil para perseguir e ameaçar ex-namorada

Atilio Esperandio

A Guarda Municipal de Vitória prendeu, na manhã de sexta-feira, um homem de 52 anos acusado de perseguir, ameaçar e se passar por policial civil para intimidar a ex-namorada, de 37 anos. A prisão ocorreu no momento em que o suspeito seguia a vítima a caminho do trabalho, em uma loja de conveniência na capital capixaba. Para preservar a integridade física e psicológica da mulher, o bairro exato onde a abordagem foi realizada não foi divulgado pelas autoridades.

O relacionamento entre os dois durou apenas dois meses, mas o término não foi aceito pelo homem. A partir do fim da relação, teve início um histórico de importunações graves e diárias, que alteraram drasticamente a rotina da vítima. O caso mobilizou as forças de segurança locais após uma denúncia feita por um amigo da mulher, por volta das 6h30, informando sobre a presença do perseguidor nos arredores do trajeto habitual de trabalho da vítima.

Escala de violência e uso de falsa identidade

Ao chegarem ao local indicado, os agentes da Guarda Municipal abordaram o indivíduo, que demonstrou forte resistência e desobediência às ordens dadas pela equipe. Segundo os relatos colhidos pela corporação, a conduta do suspeito envolvia métodos agressivos de intimidação, inclusive com a usurpação da função pública ao afirmar repetidamente que integrava os quadros da Polícia Civil do Espírito Santo.

De acordo com o inspetor Ronaldo, da Guarda de Vitória, a vítima vinha sendo exposta a episódios contínuos de estresse e risco. Além de perseguir a ex-companheira, o homem teria ido ao local de trabalho dela empunhando uma arma de fogo e proferindo ameaças explícitas a ela e aos seus colegas de trabalho. O comportamento invasivo também se estendeu à família da vítima, com o homem comparecendo à residência familiar para coagir parentes na tentativa de descobrir seu paradeiro.

A gravidade do assédio forçou a mulher a adotar medidas drásticas de sobrevivência. Ela precisou alterar horários, trocar itinerários diários e até mesmo mudar com frequência o local onde pernoitava para evitar ser localizada pelo agressor. A simulação da identidade policial e a ostentação de armamento eram utilizadas como instrumento de coação contra a vítima e frequentadores do comércio da região.

Histórico criminal e o enquadramento do crime de perseguição

Após a prisão em flagrante, o suspeito foi conduzido à Delegacia Regional de Vitória, onde foi apresentado à autoridade policial para a adoção das medidas cabíveis. A apuração inicial revelou que o homem já possuía antecedentes criminais por porte ilegal de arma de fogo, fator que reforça o quadro de periculosidade e a gravidade da ameaça enfrentada pela vítima.

O caso se enquadra na legislação brasileira que tipifica o crime de perseguição (conhecido como <i>stalking</i>), positivado no Artigo 147-A do Código Penal, além de incorrer nas sanções previstas pela Lei Maria da Penha. A prática de perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua capacidade de locomoção ou invadindo sua privacidade, prevê pena de reclusão e multa, com agravantes quando cometida contra a mulher por razões da condição do sexo feminino.

A importância da denúncia e a atuação da Guarda Municipal

O inspetor Ronaldo ressaltou a importância do acionamento rápido dos serviços de emergência para interromper ciclos de violência antes que desfechos graves aconteçam. O alerta é direcionado não apenas às vítimas diretas, mas também a amigos, familiares e testemunhas que presenciem episódios de intimidação ou assédio sistemático.

É fundamental que situações como essa sejam denunciadas o quanto antes. Qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma ameaça ou perseguição deve acionar imediatamente o telefone 190 para o envio de equipes policiais. A Guarda de Vitória mantém atuação diária no combate à violência contra a mulher, buscando garantir a proteção e a integridade das vítimas na capital.

A violência psicológica e o monitoramento não consentido representam etapas críticas nos relacionamentos abusivos. Diante de qualquer sinal de constrangimento ou ameaça, o registro formal da ocorrência é o passo essencial para a aplicação de medidas protetivas de urgência e a responsabilização legal do agressor.

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Fonte: https://tribunaonline.com.br

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