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A dança das cadeiras no Brasileirão: 16 demissões e trocas diretas entre rivais expõem imediatismo no futebol nacional

Luís Castro, ex-técnico do Grêmio — Foto: Foto: André Durão/ge

No futebol brasileiro, a busca incessante por resultados imediatos continua ditando o ritmo dos bastidores. A edição atual do Campeonato Brasileiro alcançou a marca de 16 demissões de treinadores em 12 clubes diferentes da Série A, reforçando uma tradição estrutural de pouca tolerância ao trabalho de longo prazo. O cenário, no entanto, não se resume apenas ao descarte de profissionais: chama a atenção a velocidade com que técnicos demitidos encontram espaço em adversários diretos dentro do próprio torneio.

A dinâmica revela um mercado altamente restrito e especulativo, no qual as opções de comando circulam entre os mesmos nomes, gerando o fenômeno conhecido como 'vira-casacas'. Trata-se de treinadores que, em um intervalo de poucos meses — ou até semanas —, deixam uma equipe e assumem outra na mesma divisão do futebol nacional.

O mercado dos 'vira-casacas' e as trocas de comando entre rivais

O episódio mais recente envolve a movimentação no Grêmio, que se tornou o 12º clube a interromper um ciclo ao demitir o português Luís Castro. Para a vaga, a diretoria gaúcha anunciou o retorno de Renato Gaúcho com um contrato válido até o fim da temporada. A curiosidade reside no fato de que Renato havia deixado o Vasco recentemente, durante o período de paralisação das competições para a Copa do Mundo. Esta marca a quinta passagem do treinador pelo comando gremista.

O movimento de migração direta entre concorrentes não é isolado. Fernando Diniz vivenciou trajetória semelhante nesta edição do campeonato: após ser desligado do Vasco no início do ano, assumiu o Corinthians dois meses depois para substituir Dorival Júnior. Dorival, por sua vez, levou cerca de 40 dias para voltar à beira do gramado, assinando com o São Paulo, rival direto do clube alvinegro. A rotatividade demonstra como a urgência por respostas rápidas nas tabelas frequentemente se sobrepõe a planejamentos conceituais.

Clubes reféns da instabilidade e a multiplicação de demissões

O Vasco da Gama não é a única agremiação a trocar de comando técnico mais de uma vez ao longo da temporada. O São Paulo vivenciou instabilidade idêntica ao desligar o argentino Hernán Crespo e, posteriormente, seu sucessor, Roger Machado. O Botafogo também seguiu o mesmo padrão: iniciou o ano com o argentino Martin Anselmi, demitido em março, e contratou o português Franclim Carvalho, desligado em agosto.

Na parte inferior da tabela, a Chapecoense também recorreu à troca sistemática na tentativa de reagir na competição, atingindo o terceiro treinador no ano após as passagens de Gilmar Dal Pozzo e Fábio Matias. A repetição desses ciclos evidencia a falta de convicção nas diretrizes esportivas das diretorias, que frequentemente atribuem ao treinador a responsabilidade integral pelos insucessos coletivos.

Exceções à regra: as raras ilhas de estabilidade no futebol brasileiro

Enquanto a maioria das equipes opera sob constante pressão por trocas, poucas agremiações conseguem sustentar projetos contínuos. O Palmeiras e o Bahia destacam-se como as principais exceções à regra no cenário nacional. O clube paulista mantém o português Abel Ferreira no cargo desde outubro de 2020. Sob sua gestão, o time acumulou conquistas expressivas, mantendo o treinador mesmo após uma temporada sem títulos em 2025.

Da mesma forma, o Bahia aposta na permanência de Rogério Ceni desde setembro de 2023. O trabalho resultou em títulos estaduais, uma Copa do Nordeste e o retorno do tricolor baiano à Copa Libertadores, feito que a equipe não alcançava desde 1989. Outro nome que se consolida na estabilidade é Rafael Guanaes, no comando do Mirassol desde março de 2025, além de Odair Hellmann, mantido à frente do Athletico-PR.

Por outro lado, a margem de erro segue estreita mesmo para trabalhos em andamento. O uruguaio Paulo Pezzolano, no Internacional desde o final do ano passado, enfrenta forte pressão devido aos maus resultados no estadual, à eliminação na Copa do Brasil e às dificuldades para afastar a equipe da zona de rebaixamento.

A projeção internacional após a saída do futebol nacional

A alta rotatividade do mercado brasileiro também produz desdobramentos no cenário internacional. Um exemplo marcante é o de Filipe Luís, que teve uma saída conturbada do Flamengo mesmo após ter conquistado títulos de peso como o Campeonato Carioca, a Supercopa do Brasil, o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores na temporada anterior.

Após a demissão em março — momento em que foi substituído por Leonardo Jardim —, Filipe Luís não aceitou ofertas de clubes locais e optou por dar sequência à carreira no futebol europeu. Atualmente no comando do Monaco, o treinador brasileiro ocupa a vice-liderança do Campeonato Francês e acumula vitórias de prestígio, inclusive contra o multicampeão Paris Saint-Germain.

A constante dança das cadeiras no futebol brasileiro expõe as fragilidades estruturais das gestões esportivas no país, onde a longevidade continua sendo uma exceção e o resultado imediato se impõe como a única garantia de permanência. Para continuar por dentro dos bastidores do esporte nacional, análises aprofundadas e a cobertura completa dos principais acontecimentos do país, continue acompanhando as atualizações do <b>Capital Capixaba</b>.

Fonte: https://eshoje.com.br

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