Uma cena de destruição e pânico marcou o início da semana no município de Dourado, localizado no interior de São Paulo. Na manhã de segunda-feira (14), um homem invadiu uma unidade do Supermercado Tiba, no Centro da cidade, e destruiu dezenas de garrafas de bebidas alcoólicas expostas nas prateleiras. O ato gerou um prejuízo estimado em R$ 60 mil, assustou clientes e funcionários e exigiu a intervenção imediata da Polícia Militar.
Imagens registradas pelo circuito interno de monitoramento do estabelecimento mostram o momento em que o indivíduo utiliza um capacete de motociclista como ferramenta para golpear as garrafas, derrubando rótulos de vinhos e outras bebidas de alto valor agregado. Em poucos minutos, a área de bebidas ficou tomada por vidros quebrados e poças de líquido, interrompendo o atendimento e gerando momentos de apreensão no local.
Atendimento policial, contenção e procedimentos de saúde
Segundo o registro oficial da Polícia Militar, as equipes foram acionadas por volta das 11h30 após chamadas de emergência relatando uma ocorrência de dano ao patrimônio e ameaça na Rua Ciro Rezende. Testemunhas relataram que o agressor proferia ameaças verbais a clientes e funcionários que tentavam se aproximar para cessar a destruição.
Ao chegarem ao supermercado, os policiais militares precisaram agir rapidamente para conter o suspeito, que apresentava comportamento extremamente agitado. Ele foi imobilizado e algemado para garantir a segurança dos presentes e a sua própria integridade física. Devido ao seu estado emocional alterado, o homem foi conduzido inicialmente a uma unidade de saúde do município para receber atendimento médico.
Após a alta hospitalar, o indivíduo foi apresentado no plantão da Polícia Civil, onde prestou depoimento à autoridade policial de plantão. De acordo com as normas da legislação processual penal aplicáveis a casos em que não há flagrante de violência física direta consumada contra pessoas, o homem foi ouvido e liberado em seguida, devendo responder pelos atos no decorrer das investigações.
Impacto financeiro e a perícia da Polícia Científica
O valor de R$ 60 mil estimado para os prejuízos materiais representa um impacto significativo para a operação do comércio local. Além do custo direto das garrafas destruídas — muitas das quais pertenciam a linhas nobres de vinhos importados —, o cálculo inclui os danos causados às prateleiras e expositores, o tempo de paralisação da seção atingida e os custos com a limpeza especializada do local.
Para embasar o inquérito policial e comprovar a extensão dos estragos, a Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia técnica no estabelecimento. Os peritos analisaram o padrão dos danos, colheram amostras do local e recolheram cópias das gravações das câmeras de segurança. O laudo pericial será anexado ao processo para auxiliar o Poder Judiciário na apuração das responsabilidades.
Aspectos jurídicos e o enquadramento criminal
Do ponto de vista jurídico, condutas como a registrada em Dourado costumam ser enquadradas inicialmente no artigo 163 do Código Penal Brasileiro, que define o crime de dano como o ato de destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Quando acompanhado de intimidação a terceiros, pode haver o concurso com o artigo 147, que trata do crime de ameaça.
A liberação do suspeito após o depoimento segue o rito previsto para infrações de menor potencial ofensivo ou situações em que não cabe a prisão preventiva imediata sem representação prévia ou flagrante delito específico. Contudo, além da esfera criminal — que pode resultar em penas de detenção ou prestação de serviços à comunidade —, o autor do ato está sujeito a ações na esfera cível para ressarcir integralmente os danos causados ao patrimônio privado.
O episódio também acendeu debates sobre os desafios de segurança enfrentados pelo setor varejista diante de ataques imprevisíveis em locais de grande circulação. Especialistas em segurança privada reforçam que a orientação para funcionários em casos de vandalismo com agressividade é evitar a confrontação direta e acionar imediatamente os órgãos de segurança pública.
Procurada para prestar esclarecimentos sobre a condução do caso e possíveis medidas cautelares aplicadas, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) não havia emitido um posicionamento oficial até o fechamento desta reportagem.
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Fonte: https://www.metropoles.com