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Testosterona baixa: por que a saúde do coração e o metabolismo devem vir antes da reposição hormonal

Dra. Tatiane Mascarenhas Santiago Emerich

A busca por mais disposição, ganho de massa muscular e melhora do desempenho sexual tem levado um número crescente de homens aos consultórios e laboratórios para medir os níveis de testosterona. No entanto, diante de um resultado que aponta taxas reduzidas do hormônio, a primeira reação costuma ser a busca por uma receita de reposição hormonal imediata. Médicos e especialistas alertam que o caminho não deve ser tão simples assim: antes de optar pelo uso de hormônios sintéticos, é fundamental olhar para a saúde cardiovascular e entender as reais causas por trás da queda dos índices laboratoriais.

A redução da testosterona nem sempre significa uma falência definitiva do organismo na produção do hormônio. Em muitos casos, os valores mais baixos no sangue funcionam como um sinal de alerta emitido pelo corpo para indicar alterações metabólicas, problemas cardíacos ou hábitos de vida inadequados que precisam ser investigados e corrigidos com prioridade.

O perigo do diagnóstico apressado e o mito do exame único

Um dos erros mais comuns na prática clínica atual é diagnosticar o hipogonadismo masculino — nome médico dado à deficiência de testosterona — com base em apenas uma coleta de sangue isolada. Especialistas destacam que os níveis hormonais oscilam ao longo do dia e podem ser temporariamente afetados por estresse, noites mal dormidas, infecções recentes ou uso de determinados medicamentos.

Para que o diagnóstico seja preciso, as diretrizes médicas recomendam a realização de pelo menos duas coletas de sangue em dias diferentes, preferencialmente no período da manhã, entre 7h e 10h, quando a produção natural de testosterona atinge o seu pico. Além da confirmação laboratorial, o paciente precisa necessariamente apresentar sintomas clínicos compatíveis, como queda acentuada da libido, redução de ereções espontâneas, fadiga persistente e perda de força muscular.

Gordura visceral, síndrome metabólica e o impacto no coração

A relação entre a baixa testosterona e o sistema cardiovascular é profunda e bidirecional. O excesso de peso, em especial o acúmulo de gordura visceral no abdômen, desempenha um papel central nesse cenário. O tecido adiposo em excesso produz uma enzima chamada aromatase, que converte a testosterona em estrogênio. Esse processo altera o funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, responsável por sinalizar ao corpo a necessidade de produzir o hormônio masculino.

Com isso, surge o chamado hipogonadismo funcional ou secundário à obesidade. Nesses casos, a produção hormonal diminui não porque os testículos perderam a capacidade funcional, mas sim porque o metabolismo está desregulado. Essa condição costuma vir acompanhada de um quadro conhecido como síndrome metabólica, composto por hipertensão arterial, alteração na glicemia (com risco de diabetes tipo 2) e elevação do colesterol ruim (LDL) e dos triglicérides. Tratar apenas o hormônio sem olhar para esses fatores é ignorar o verdadeiro risco à saúde do paciente, que envolve infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Estilo de vida e reversão natural dos níveis hormonais

A boa notícia para muitos homens é que a testosterona reduzida por causas metabólicas pode ser revertida de forma natural. Estudos clínicos apontam que a perda de peso sustentável, associada à prática regular de exercícios físicos — combinando treinos aeróbicos e de força —, é capaz de restaurar os níveis hormonais e devolver a vitalidade sem a necessidade de intervenção farmacológica hormonal.

Além da melhora nos exames de sangue, o reajuste metabólico traz benefícios diretos para a função erétil, o humor, a densidade óssea e a saúde do coração. A reeducação alimentar e o controle do sono também desempenham papel decisivo, já que é durante o sono profundo que o organismo realiza a síntese de boa parte dos hormônios essenciais para o equilíbrio metabólico.

Quando a reposição é realmente indicada e quais os cuidados

A reposição de testosterona tem indicação clara e benéfica quando há o diagnóstico confirmado de hipogonadismo orgânico ou permanente, provocado por lesões, doenças genéticas, cirurgias ou disfunções definitivas no eixo hormonal. Mesmo nesses casos, a terapia hormonal exige acompanhamento médico rigoroso e contínuo.

Antes e durante o tratamento, é indispensável monitorar o nível de hemoglobina e hematócrito no sangue, pois a testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos, o que pode aumentar a viscosidade sanguínea e elevar riscos cardiovasculares se não houver controle. Da mesma forma, a saúde da próstata e as taxas de PSA devem ser constantemente avaliadas para garantir a segurança do paciente.

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Fonte: https://www.folhavitoria.com.br

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