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PF prende morador de Mato Grosso suspeito de fornecer tecnologia para grupo especializado em roubo de aviões do tráfico

G1

Uma ação da Polícia Federal deflagrada no interior de Mato Grosso colocou sob holofotes as complexas engrenagens tecnológicas que alimentam a logística do narcotráfico no país. Durante a Operação Jammer, realizada na última quarta-feira (9), agentes federais cumpriram mandados judiciais e prenderam um morador do município de Alta Floresta, localizado a cerca de 800 quilômetros de Cuiabá. O investigado é apontado como peça-chave de um suporte técnico especializado em viabilizar o roubo de aeronaves de pequeno e médio porte na região Centro-Oeste.

A intervenção policial cumpriu um mandado de prisão preventiva e outro de busca e apreensão na residência do investigado, expedidos pela 2ª Vara da Subseção Judiciária de Sinop, importante polo econômico e judiciário do norte mato-grossense. Embora as autoridades não tenham divulgado publicamente a identidade do homem preso, a Polícia Federal detalhou que sua atuação dentro da engrenagem criminosa era altamente específica e determinante para o sucesso das investidas do grupo.

Aparelhos de bloqueio e a neutralização de rastreamento

De acordo com os dados apurados pelos investigadores federais, o homem é suspeito de desenvolver ou fornecer equipamentos conhecidos tecnicamente como <i>jammers</i>. Esses dispositivos têm a capacidade de gerar interferências intencionais de radiofrequência, bloqueando sinais de comunicação móvel, frequências de rádio VHF e receptores de navegação via satélite (GPS).

O objetivo principal da aplicação dessa tecnologia pelo grupo criminoso era desabilitar os transmissores de localização e os sistemas de transponder das aeronaves imediatamente após o roubo. Sem o sinal ativo, proprietários, empresas de monitoramento privado e órgãos de controle do tráfego aéreo ficavam impossibilitados de rastrear o deslocamento dos aviões durante as rotas de fuga.

Diante dos elementos colhidos ao longo do inquérito, o suspeito poderá responder formalmente pelos crimes de exploração ilegal de sinal de telecomunicações e associação para o tráfico de drogas. Todo o material eletrônico apreendido em sua residência passará por perícia técnica detalhada, na tentativa de identificar se os aparelhos eram montados de forma artesanal ou importados ilegalmente, além de mapear outros possíveis integrantes do esquema.

O papel estratégico de Mato Grosso na logística aérea do crime

O estado de Mato Grosso ocupa uma posição geográfica extremamente sensível no mapa da segurança pública nacional. A proximidade com a extensa fronteira com a Bolívia — um dos principais produtores mundiais de cocaína — transforma a região em um corredor aéreo de intensa atividade ilícita. A vasta dimensão territorial do estado, aliada à presença de milhares de propriedades rurais dotadas de pistas de pouso privadas voltadas ao agronegócio, cria um ambiente propício para a operação de voos clandestinos.

Nesse cenário, aviões monomotores e bimotores tornam-se alvos prioritários das facções. São aeronaves com grande capacidade de carga, autonomia de voo e aptas a operar em pistas não pavimentadas ou improvisadas. No entanto, o roubo desses aviões deixou de ser uma ação meramente ostensiva e violenta para se tornar uma operação logística estruturada, dependente de pilotos experientes e especialistas em tecnologia capazes de burlar radares e sistemas de monitoramento.

Desarticulação de redes de apoio logístico

A deflagração da Operação Jammer reflete uma mudança de estratégia das forças federais no combate às organizações criminosas que atuam no tráfego aéreo. Em vez de focar apenas no confisco de carregamentos de entorpecentes ou na prisão de mulas e pilotos, a Polícia Federal busca asfixiar a rede de fornecedores e prestadores de serviços técnicos que tornam as operações do tráfico viáveis.

A expectativa dos investigadores é que o desdobramento da análise das mídias e documentos recolhidos em Alta Floresta leve a novas etapas operacionais. A polícia investiga se a mesma estrutura tecnológica fornecida pelo suspeito atendeu a roubos ocorridos em outros estados da Amazônia Legal, como Pará e Rondônia, o que confirmaria a atuação de uma rede interestadual de suporte ao crime organizado.

Para continuar acompanhando o desdobramento desta e de outras investigações decisivas sobre segurança pública, infraestrutura e logística no país, continue atento às atualizações do Capital Capixaba. Nosso compromisso é entregar reportagens completas, contextualizadas e apuradas com rigor para manter você sempre bem informado.

Fonte: https://g1.globo.com

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