A Câmara Municipal de Marechal Floriano aprovou, por unanimidade, a cassação do mandato do prefeito Antônio Lidiney Gobbi. A votação ocorreu durante uma sessão extraordinária realizada no Plenário Pedro Schunk, em um julgamento que se estendeu por cerca de cinco horas e meia. Todos os 11 vereadores presentes no plenário votaram a favor da procedência das três infrações político-administrativas apontadas no processo. Com o resultado, o chefe do Executivo perde o cargo, que passa a ser ocupado pelo vice-prefeito Paulo Lovatti Junior.
Votação unânime e rito de transição na prefeitura
O julgamento teve início no começo da manhã e seguiu até o início da tarde. Durante o processo de votação das três acusações analisadas pelo plenário, o resultado manteve-se uniforme: 11 votos favoráveis ao parecer da comissão e nenhum voto contrário. A decisão encerra um período de incertezas na política municipal e decreta a perda do mandato do gestor em âmbito legislativo.
Com a confirmação da cassação, os procedimentos institucionais para a transição de comando no município foram iniciados de forma imediata. O rito oficial previu a publicação do decreto legislativo no Diário Oficial e a convocação da sessão de posse do vice-prefeito, Paulo Lovatti Junior, agendada para o mesmo dia na própria Câmara Municipal. O novo gestor assume a prefeitura com o compromisso de dar continuidade às atividades administrativas da cidade.
A defesa do prefeito e os argumentos apresentados em plenário
Antes da deliberação dos parlamentares, o prefeito Antônio Lidiney Gobbi utilizou o tempo regimental de até duas horas para apresentar sua defesa oral. Acompanhado por sua equipe jurídica, o gestor buscou afastar as acusações de irregularidades e destacou seu histórico no serviço público estadual e municipal.
Em sua fala no plenário, Lidiney enfatizou possuir mais de três décadas de atuação pública sem registros anteriores de sanções ou apontamentos graves por órgãos de fiscalização, como o Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES). O prefeito negou ter cometido desvios ou atos de improbidade e declarou estar sofrendo os impactos reputacionais das acusações após um ano e dez meses à frente do Poder Executivo.
O prefeito argumentou também que o processo possuía caráter eminentemente político-administrativo e sustentou que eventuais inconsistências identificadas na administração decorreram de falhas operacionais praticadas por servidores, e não de ordens diretas da gestão. Ao concluir seu pronunciamento, solicitou a reflexão dos vereadores sobre o futuro do município e afirmou estar de consciência tranquila em relação às suas condutas.
Origem das acusações e a batalha na Justiça
O processo que resultou no julgamento teve início a partir de denúncias sobre possíveis inconsistências na publicação de dispensas de licitação realizadas pela Prefeitura de Marechal Floriano. O relatório elaborado pela Comissão Processante do Legislativo apontou indícios de inserções de documentos no sistema oficial com datas retroativas.
A tramitação do caso na Câmara envolveu diversos desdobramentos jurídicos ao longo do ano. O processo chegou a ser suspenso temporariamente por força de decisões liminares obtidas pela defesa do prefeito, que questionava aspectos formais do procedimento. A apuração só pôde prosseguir após o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) autorizar a retomada dos trabalhos legislativos, permitindo a marcação da sessão de julgamento.
Mesmo nas horas que antecederam a sessão extraordinária, a defesa de Lidiney buscou medidas judiciais para impedir a votação. Um mandado de segurança foi impetrado na Comarca de Domingos Martins e indeferido pelo juiz responsável. Posteriormente, um recurso apresentado à segunda instância do TJES também foi negado na noite anterior ao julgamento. A despeito do resultado na Câmara Municipal, a defesa do ex-prefeito ainda dispõe de recursos cabíveis na esfera judicial para contestar a cassação.
Cenário institucional e os impactos para o município
A mudança no comando do Poder Executivo de Marechal Floriano altera a dinâmica política na Região Serrana capixaba. A transição imediata busca assegurar a continuidade dos serviços públicos, da prestação de atendimentos essenciais e da execução de contratos e obras ativas na municipalidade.
O desfecho desse processo reforça a importância do acompanhamento atento das decisões políticas e administrativas no Estado. Para continuar bem-informado sobre os acontecimentos em Marechal Floriano e nas demais regiões do Espírito Santo, acompanhe a cobertura completa do Capital Capixaba, seu portal de notícias focado em entregar jornalismo contextualizado, dinâmico e de credibilidade.