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Valor agregado como estratégia: recorde nas exportações de rochas oculta desafios logísticos e exige mais processamento no Brasil

Diferença do retorno financeiro de vender um bloco bruto ou beneficiado em chapas é significati...

O setor de rochas naturais do Brasil alcançou marcas históricas no comércio exterior, impulsionado pela forte demanda internacional por materiais nobres como quartzitos, granitos e mármores. No entanto, por trás dos números vistosos e dos recordes sucessivos de faturamento, a cadeia produtiva enfrenta desafios estruturais silenciosos. Especialistas e empresários do segmento alertam que o crescimento sustentável a longo prazo depende da superação de graves gargalos logísticos e de uma mudança profunda no modelo de negócios, que ainda prioriza o envio de matéria-prima bruta em detrimento de produtos beneficiados.

O cenário reflete um dilema recorrente na economia brasileira: a dependência da exportação de produtos de baixo valor agregado sem o devido processamento interno. Embora o volume de embarques continue em alta, as margens de lucro e a competitividade do país no mercado global continuam expostas a oscilações do frete marítimo e custos operacionais elevados. Diante disso, agregar valor às rochas ornamentais deixou de ser apenas uma opção comercial e passou a figurar como uma estratégia indispensável de sobrevivência e expansão industrial.

O peso do setor e o protagonismo capixaba

Dentro do panorama nacional, o estado do Espírito Santo consolida-se como o principal polo produtor e exportador de rochas ornamentais do país, sendo responsável por mais de 80% das vendas externas do setor. A riqueza geológica do território capixaba, aliada a um parque industrial moderno e altamente especializado, permite atender a mercados exigentes e de elevado poder aquisitivo, como os Estados Unidos, a China e diversos países da União Europeia.

Contudo, o próprio protagonismo do Espírito Santo evidencia os contrastes do setor. Enquanto a tecnologia de lavra e o beneficiamento de chapas avançaram significativamente nas últimas décadas, o fluxo de escoamento da produção esbarra em limitações que comprometem o ritmo do crescimento. A dependência de terminais portuários específicos e os trâmites burocráticos aduaneiros geram retenções, atrasos e custos adicionais que pesam no orçamento final das empresas exportadoras.

Gargalos logísticos e o custo de transporte

A infraestrutura de transporte permanece como o ponto mais sensível para os exportadores. O transporte rodoviário, utilizado para mover pesados blocos de rocha das pedreiras até os centros de processamento e portos, sofre com a precariedade das rodovias e a variação nos preços dos combustíveis. Essa dependência ostensiva do modal rodoviário encarece a operação antes mesmo que a mercadoria chegue aos terminais marítimos.

Nos portos, os entraves ganham novas dimensões. A disponibilidade irregular de contêineres, as flutuações nas tarifas do frete marítimo internacional e a capacidade limitada para receber navios de grande porte afetam diretamente a previsibilidade das entregas. Em momentos de pico de vendas, a falta de espaço nos terminais e a demora na liberação de cargas reduzem a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes internacionais que contam com sistemas logísticos mais ágeis.

A urgência da agregação de valor

Para mitigar o impacto dos altos custos logísticos e garantir maior rentabilidade, a indústria brasileira precisa acelerar a transição rumo ao maior valor agregado. Exportar rochas já cortadas, polidas e acabadas — em formato de chapas processadas ou peças sob medida para a arquitetura — gera uma receita substancialmente maior por tonelada transportada do que o envio de blocos brutos.

Além de otimizar o uso do espaço no transporte e maximizar o faturamento, o beneficiamento local fortalece toda a economia regional. A industrialização da rocha gera empregos de maior qualificação, estimula a inovação tecnológica em máquinas e insumos e fomenta uma extensa cadeia de serviços. Trata-se de um movimento estratégico para proteger o setor produtivo das oscilações de preços que afetam os mercados de commodities.

Perspectivas para o fortalecimento do mercado

Superar os limites atuais exige uma atuação integrada entre o setor privado e o poder público. Investimentos na ampliação e modernização da infraestrutura portuária, melhorias na malha viária e incentivos para a renovação tecnológica das indústrias são medidas prioritárias. Além disso, ações de promoção comercial focadas no design e nas propriedades exclusivas das rochas brasileiras podem consolidar a imagem do país como fornecedor de produtos acabados de altíssimo padrão.

O recorde no faturamento das exportações comprova a relevância e a excelência do setor de rochas naturais do Brasil. Contudo, transformar o momento favorável em desenvolvimento sustentável exige superar os entraves de escoamento e consolidar uma política industrial voltada à agregação de valor. Para acompanhar desdobramentos, análises econômicas e as principais notícias do Espírito Santo e do Brasil, continue acompanhando o Capital Capixaba, seu portal de informação com credibilidade e profundidade.

Fonte: https://esbrasil.com.br

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