Um desentendimento motivado por uma disputa de estacionamento culminou em um episódio de violência e mobilizou forças policiais no município de Água Boa, localizado a 625 quilômetros de Cuiabá, no interior de Mato Grosso. O prefeito em exercício da cidade, Ari Zandoná (União Brasil), de 68 anos, ficou ferido na região do rosto após ser atingido por um copo arremessado por um policial penal, de 41 anos, durante uma acalorada discussão em via pública. O caso extrapolou a agressão física inicial e exigiu uma complexa operação de negociação da Polícia Militar devido ao disparo de uma arma de fogo no interior de uma residência.
A origem do conflito e a agressão ao gestor público
A sequência dos fatos teve início quando o gestor municipal foi alertado por moradores de que a sua caminhonete estaria sendo danificada por um homem enquanto permanecia estacionada na rua. Ao se deslocar até o local indicado para averiguar a situação, Zandoná encontrou o servidor da Polícia Penal nas proximidades do automóvel. Conforme consta no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o agente alegava que o veículo do prefeito estava obstruindo parcialmente o acesso à garagem de sua residência, o que deu início ao atrito verbal.
À medida que a discussão ganhava contornos mais tensos, o prefeito teria empurrado o policial penal ao constatar que o veículo apresentava marcas de danos. Em resposta imediata, o agente arremessou um copo que segurava diretamente contra a face de Zandoná. O impacto provocou um corte no rosto do prefeito, que precisou de atendimento médico para estancar o sangramento e tratar o ferimento provocado pelos estilhaços.
Tensão com a Polícia Militar e disparo dentro do imóvel
A Polícia Militar foi acionada para intervir no conflito e enviou uma guarnição até o endereço. Na chegada, os policiais constataram que o suspeito demonstrava sinais aparentes de embriaguez e havia se trancado no interior de seu imóvel. Os militares tentaram estabelecer contato por ligação telefônica, solicitando que ele saísse da residência de forma pacífica para prestar esclarecimentos e acompanhar os procedimentos da ocorrência. No entanto, após uma breve conversa, o homem desligou o telefone e recusou qualquer colaboração.
Poucos instantes após o encerramento da chamada, as equipes que cercavam o local ouviram o barulho de um disparo de arma de fogo vindo de dentro da casa. Diante da gravidade do cenário e do risco iminente, o comandante da unidade e o oficial supervisor foram chamados para coordenar o cerco tático. Iniciou-se então um processo de negociação verbal. Após diálogo mantido pelos militares, o policial penal cedeu e abriu o portão principal, momento em que os agentes atuaram para imobilizá-lo e efetuar a prisão.
Interferência de terceiro e apreensão de armamento oficial
Durante o procedimento de abordagem no portão, o companheiro do policial penal, de 34 anos, tentou intervir na ação das forças de segurança para impedir a detenção do suspeito. Em decorrência da oposição à ordem policial, ele também precisou ser contido, imobilizado e algemado pela equipe. Ambos foram conduzidos sob custódia para as dependências do 16º Batalhão da Polícia Militar de Água Boa.
Na sequência da operação, acompanhados por outro integrante da Polícia Penal, os policiais militares realizaram uma varredura na residência a fim de localizar o armamento utilizado no disparo. A pistola de uso institucional, pertencente ao acervo da Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT), foi encontrada na gaveta de uma cômoda em um dos quartos. Junto com a arma, as equipes apreenderam dois carregadores municiados contendo um total de 29 munições intactas. O caso foi formalmente registrado sob as acusações de lesão corporal, resistência e disparo de arma de fogo em lugar habitado.
Repercussão institucional e investigação
O caso traz à tona discussões sobre o comportamento de servidores da segurança pública fora do horário de serviço e o agravamento de desentendimentos cotidianos no trânsito e na vizinhança. A Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso informou que a Corregedoria do órgão acompanha o caso em conjunto com os órgãos de segurança para apurar a conduta funcional e administrativa do agente. Além do processo criminal perante o Judiciário, o servidor poderá responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
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Fonte: https://g1.globo.com