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Museu Mello Leitão recebe exposição fotográfica sobre a riqueza e a conservação da Mata Atlântica

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O município de Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo, reforçou sua tradição como polo de debate e preservação ambiental ao abrir as portas de uma nova atração cultural e científica. O Museu de Biologia Professor Mello Leitão recebe uma exposição fotográfica promovida pelo Instituto Últimos Refúgios, inteiramente dedicada a registrar a biodiversidade e os ecossistemas da Mata Atlântica. Inaugurada durante a edição recente do Simpósio sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica (Simbioma), a mostra permanece em cartaz no Auditório Augusto Ruschi até o dia 1º de novembro.

A exposição reúne 11 fotografias de grande impacto visual capturadas pelo fotógrafo de natureza Leonardo Merçon. O acervo apresenta um panorama expressivo da fauna e da flora capixabas, reunindo imagens de aves, mamíferos, répteis e paisagens marcantes do estado. Alinhada ao tema central das discussões ambientais de 2026, a mostra concede papel de destaque aos ecossistemas aquáticos e marinhos, incluindo registros detalhados de manguezais, ambientes oceânicos e o impressionante avistamento de uma baleia-jubarte na costa capixaba.

Duas décadas de registro e conexão com a natureza capixaba

Muito além de um mero painel contemplaivo, a exposição foi concebida para celebrar os 20 anos de carreira de Leonardo Merçon na fotografia de vida selvagem. Ao longo de duas décadas, o fotógrafo dedicou sua trajetória a mapear não apenas as belezas naturais do Espírito Santo, mas também as fragilidades de seus habitats. As imagens expostas dialogam diretamente com projetos socioambientais de longo prazo desenvolvidos pelo Instituto Últimos Refúgios.

Entre os trabalhos correlacionados está o projeto <b>Entre Raízes e Marés: Manguezais Capixabas</b>, voltado ao mapeamento, documentação e sensibilização pública sobre a relevância ecológica das zonas estuarinas do estado. Outra iniciativa refletida na mostra é o documentário <b>Águas do Itapemirim</b>, obra audiovisual que analisa as bacias hidrográficas regionais, a conservação dos rios e a dependência direta entre as comunidades humanas e os recursos hídricos locais.

Para o fotógrafo, a linguagem visual atua como uma ferramenta acessível e transformadora para aproximar a ciência do cotidiano das pessoas. Segundo Merçon, a expectativa é que o contato com os registros visuais estimule uma reflexão profunda no visitante, incentivando o engajamento coletivo na proteção das áreas preservadas que ainda resistem no território capixaba.

Ciência, curadoria e o simbolismo de Santa Teresa

A concepção e montagem da mostra contaram com uma abordagem interdisciplinar. A curadoria é assinada pela bióloga Iasmin Macedo, integrante do Instituto Últimos Refúgios, responsável pela seleção criteriosa das imagens, além da definição estética de formatos e emolduramento. A organização espacial e a cenografia do Auditório Augusto Ruschi foram conduzidas por Marcella Rosa, também membro da organização.

O resultado final harmoniza rigor científico, memória histórica e sensibilidade artística. A escolha do Museu de Biologia Professor Mello Leitão — atualmente sob gestão do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) — traz um simbolismo reforçado. Santa Teresa é reconhecida nacionalmente como o berço do ecologismo brasileiro, impulsionado pelo legado do patrono do meio ambiente no Brasil, Augusto Ruschi.

A Mata Atlântica, embora figure entre os biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, figura também entre os mais ameaçados devido ao avanço histórico da urbanização, da agricultura e da fragmentação florestal. No Espírito Santo, os remanescentes de florestas de encosta, matas ciliares e vegetação de mangue funcionam como refúgios críticos para espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Iniciativas culturais como esta exposição cumprem o papel fundamental de sensibilizar moradores e turistas sobre a urgência das ações de conservação.

O papel do Instituto Últimos Refúgios

Fundado em 2006, o Instituto Últimos Refúgios é uma organização socioambiental sem fins lucrativos que combina arte, comunicação e pesquisa para promover a cultura da preservação ambiental. Sua equipe reúne profissionais de diferentes campos — como biologia, jornalismo, design, fotografia e audiovisual — dedicados a documentar a riqueza natural do país e a transformar conhecimento científico em narrativas acessíveis ao grande público.

A exposição no Museu Mello Leitão segue aberta para visitação pública até 1º de novembro, oferecendo uma oportunidade imperdível para quem deseja contemplar o patrimônio natural capixaba registrado sob uma perspectiva artística e engajada.

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Fonte: https://www.montanhascapixabas.com.br

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