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Empresário investigado em grupo de WhatsApp faz doação eleitoral a aliado de Eduardo Paes no Rio

DANILO M. YOSHIOKA/ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka

O cenário político fluminense registrou uma movimentação financeira que chama a atenção pela reconfiguração de alianças e perfis de apoio. O empresário Ivan Wrobel, proprietário da construtora W3 e que figurou entre os investigados pela Polícia Federal em 2022 por mensagens em um grupo de WhatsApp com teor antidemocrático, realizou doação eleitoral para um candidato alinhado ao grupo do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD).

A contribuição financeira foi direcionada ao vereador Pedro Duarte, que disputa uma vaga de deputado estadual pelo PSD. Wrobel realizou uma doação no valor de R$ 1.064 por meio da plataforma de financiamento coletivo oficial do candidato. A movimentação também contou com a participação de seu filho, Flávio Wrobel, diretor na mesma construtora, que contribuiu com o mesmo valor para a campanha do parlamentar.

Além da quantia repassada diretamente à plataforma de arrecadação virtual de Pedro Duarte, Flávio Wrobel já havia efetuado um repasse de valor mais expressivo anteriormente. Em junho, o executivo destinou R$ 30 mil ao fundo partidário do diretório estadual do PSD no Rio de Janeiro, legenda comandada no estado por Eduardo Paes. Ao todo, a arrecadação declarada pelo candidato a deputado estadual já ultrapassa a marca de R$ 408 mil.

Da ruptura ideológica à aproximação pragmática

A presença de empresários associados a setores conservadores no rol de doadores de Pedro Duarte reflete as recentes transformações no xadrez político local. Duarte foi eleito vereador na capital fluminense pelo Partido Novo, legenda pela qual chegou a se colocar como pré-candidato à prefeitura do Rio. No entanto, o parlamentar rompeu com a antiga sigla alegando divergências quanto ao rumo do partido e criticando o que classificou como uma radicalização ideológica da agremiação.

Após o desligamento, a migração para o PSD marcou a entrada oficial do vereador no arco de alianças liderado por Eduardo Paes, figura central da política carioca e apoiador da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A transição de Duarte para um partido de centro-direita alinhado ao governo federal demonstra como o pragmatismo eleitoral tem reorganizado forças e atraído o interesse de investidores e empresários que antes mantinham laços com outros polos políticos.

O histórico das investigações e o arquivamento no STF

O nome de Ivan Wrobel ganhou repercussão nacional em agosto de 2022, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou mandados de busca e apreensão contra um grupo de empresários. A ação da Polícia Federal ocorreu no âmbito do inquérito que apurava a atuação de milícias digitais e atos contrários ao Estado Democrático de Direito, após reportagens revelarem trocas de mensagens em um aplicativo de conversas.

Na ocasião, Wrobel havia feito manifestações no grupo sobre a atuação da Justiça Eleitoral e das Forças Armadas no período que antecedia o pleito presencial daquele ano. O desdobramento jurídico do caso, contudo, teve um desfecho favorável ao empresário no ano seguinte. Em 2023, o ministro Alexandre de Moraes acolheu os argumentos da defesa e determinou o arquivamento das investigações para Wrobel e outros cinco empresários, citando a ausência de elementos indiciários mínimos que justificassem a continuidade da apuração.

Transparência e financiamento de campanhas

A transparência nas doações eleitorais é uma exigência legal consolidada pela Justiça Eleitoral, permitindo que a sociedade acompanhe a origem dos recursos que financiam as candidaturas públicas. O caso das doações à campanha de Pedro Duarte ilustra como o financiamento por pessoas físicas continua sendo uma ferramenta central de articulação entre o setor produtivo e os agentes políticos.

O movimento de empresários do setor imobiliário e da construção civil em apoiar candidaturas de diferentes perfis reflete também a busca por representatividade em pautas de desenvolvimento urbano. A atuação da construtora W3 no mercado imobiliário do Rio de Janeiro insere os executivos no debate sobre as políticas públicas da cidade e do estado.

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Fonte: https://www.metropoles.com

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