O Espírito Santo vivencia neste sábado mais uma etapa decisiva para a saúde pública infantil e infantojuvenil. Diversos postos de saúde de pelo menos 44 municípios capixabas abrem suas portas para o Dia D da Campanha Nacional de Multivacinação. A iniciativa é voltada para crianças e adolescentes menores de 15 anos com doses atrasadas ou com a caderneta de imunização incompleta. Com o objetivo central de recuperar a cobertura vacinal e proteger a população contra doenças imunopreveníveis, a mobilização ganha força para facilitar o acesso de famílias que enfrentam dificuldades de horário durante os dias úteis.
Organizada no estado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em conjunto com as secretarias municipais, a estratégia teve início no dia 3 de agosto e se estenderá até o dia 1º de setembro. Até o meio da semana, balanços oficiais apontavam que mais de 95,9 mil doses de diferentes imunizantes já haviam sido aplicadas no território capixaba. O esforço concentrado deste fim de semana visa ampliar significativamente esse número, alcançando famílias em diferentes regiões, da Grande Vitória ao interior do estado.
Mobilização nos municípios e a importância de checar a caderneta
A escolha do sábado para a realização da grande mobilização responde a uma demanda histórica de pais e responsáveis trabalhadores. O funcionamento dos postos de saúde em horários diferenciados elimina a barreira do tempo para quem não consegue levar os filhos às unidades no expediente comercial. Segundo especialistas em saúde pública, a praticidade de um dia de mutirão reduz as taxas de abandono dos esquemas vacinais, cenário que afeta principalmente adolescentes em fase de reforço e bebês que necessitam de múltiplas aplicações nos primeiros anos de vida.
A orientação da Sesa é para que pais ou responsáveis compareçam à unidade básica de saúde mais próxima munidos de documento de identificação com foto, cartão do SUS e, obrigatoriamente, a caderneta de vacinação da criança ou do adolescente. No local, as equipes de enfermagem e saúde da família realizam a conferência minuciosa do histórico para identificar quais doses estão pendentes e efetuar a aplicação imediata.
Principais imunizantes disponíveis na campanha
Diferente de campanhas voltadas a uma única enfermidade, a ação de multivacinação coloca à disposição mais de 15 tipos de vacinas previstas no Calendário Nacional de Imunização do Ministério da Saúde. A finalidade é cobrir todas as etapas de proteção biológica necessárias de acordo com a faixa etária de cada indivíduo.
Para as crianças menores de sete anos, o leque de proteção inclui vacinas vitais como a BCG (que previne formas graves de tuberculose), Hepatite B, Pentavalente (que combate difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções graves por Haemophilus influenzae B), a Vacina Inativada contra a Poliomielite (VIP), a Vacina Oral contra Poliomielite (VOP), Rotavírus, Pneumocócica 10-valente, Meningocócica C e Febre Amarela. Adicionalmente, a Tríplice Viral — eficaz contra sarampo, caxumba e rubéola — e a vacina contra a Varicela integram a rotina de imunização.
Para a faixa etária que abrange crianças maiores e adolescentes até 14 anos, 11 meses e 29 dias, estão disponíveis reforços estratégicos, tais como a vacina Meningocócica ACWY, a vacina contra o HPV (fundamental na prevenção de vírus associados ao câncer de colo do útero, peniano e de orofaringe) e doses de reforço contra a Febre Amarela. Dependendo da disponibilidade logística de cada prefeitura, doses contra a Influenza e contra a Covid-19 também estarão sendo aplicadas de maneira integrada.
O contexto da cobertura vacinal e o impacto na saúde coletiva
A oscilação e a queda nos índices de imunização registradas no Brasil nos últimos anos acenderam alertas nas autoridades epidemiológicas. Enfermidades anteriormente controladas ou eliminadas, como o sarampo, voltaram a registrar casos no país devido à formação de bolsões de pessoas não vacinadas. A proliferação de desinformação e a falsa sensação de que doenças erradicadas não oferecem mais perigo figuram entre os principais desafios enfrentados pelas equipes de saúde pública.
Nesse sentido, ações de grande escala como o Dia D no Espírito Santo desempenham papel duplo: além de proteger individualmente a criança ou o jovem vacinado, fortalecem a imunidade coletiva. Quando a taxa de vacinados atinge patamares elevados na comunidade, a circulação de vírus e bactérias cai drasticamente, protegendo inclusive pessoas que temporariamente não podem receber vacinas por razões médicas.
Orientações práticas para o atendimento no sábado
As prefeituras dos 44 municípios participantes definiram horários específicos para suas unidades, sendo que a maioria funcionará de forma contínua das 8h às 17h. A orientação das equipes médicas é não deixar a ida ao posto para os últimos momentos do dia, garantindo tempo hábil para a análise do documento e o registro nos sistemas do Ministério da Saúde.
Caso os pais tenham perdido a caderneta física de vacinação, o atendimento não deve ser descartado. Os profissionais de saúde podem consultar os registros digitais no sistema do SUS para resgatar o histórico da criança, atualizar as doses necessárias e emitir um novo comprovante oficial.
Manter a caderneta de vacinação em dia é um ato contínuo de responsabilidade e cuidado coletivo. Para continuar acompanhando as principais ações de saúde pública, coberturas regionais e notícias atualizadas no Espírito Santo, siga a leitura no Capital Capixaba. Nosso compromisso é levar até você informação checada, relevante e essencial para o bem-estar e a cidadania de toda a sua família.