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CRM-MT abre apuração sobre atendimento a adolescente após descoberta de larvas em ferida no Pronto-Socorro de Várzea Grande

G1

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso (CRM-MT) instaurou um procedimento de apuração para investigar a conduta médica e as condições de assistência prestadas a um adolescente de 17 anos no Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. O caso ganhou repercussão após familiares do paciente identificarem a presença de larvas no curativo do jovem, que havia passado por intervenção cirúrgica recente. O episódio reacendeu o debate sobre a fiscalização sanitária e a manutenção de protocolos assistenciais nas unidades públicas de saúde.

Do acidente na zona rural ao internamento de urgência

O paciente, identificado como Vanderson Campos de Magalhães, atua no trabalho com gado em uma propriedade rural no município de Nossa Senhora do Livramento, a cerca de 42 km de Cuiabá. No último domingo (9), por volta das 5h da manhã, o jovem sofreu uma queda enquanto pilotava uma motocicleta durante o manejo na fazenda. Com o impacto do acidente, ele sofreu fraturas no braço e na perna, necessitando de socorro imediato e atendimento especializado.

Encaminhado ao Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande — unidade de referência no atendimento de urgência para diversos municípios vizinhos —, Vanderson foi submetido a um procedimento cirúrgico ortopédico ainda no dia de sua entrada. O que deveria ser um processo regular de recuperação pós-operatória, no entanto, transformou-se em um cenário de angústia e indignação para a família.

Denúncias de negligência, falha na higiene e atraso nos procedimentos

A situação tomou um rumo crítico na manhã de quarta-feira (12), quando parentes que acompanhavam o jovem no leito notaram a presença de larvas emergindo da ferida operatória na região do braço. Segundo relatos da mãe do rapaz, Creonice Silvas Campos, o alerta foi emitido imediatamente à equipe de plantão, mas a troca completa do curativo e a higienização teriam ocorrido apenas no período da noite, por volta das 22h.

Além do achado parasitário, a família formalizou críticas quanto às condições gerais da internação. De acordo com a mãe, o jovem teria permanecido dois dias sem banho após a realização da cirurgia, enfrentando ainda um ambiente com higiene precária na enfermaria e problemas na qualidade da alimentação servida. Diante da gravidade dos relatos, os familiares passaram a exigir respostas e providências formais dos órgãos responsáveis pela gestão da saúde local.

Posicionamento do hospital e avaliação em centro cirúrgico

Em nota de esclarecimento, a direção do Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande confirmou que foi identificada miíase — infestação provocada por larvas de moscas em tecidos corporais — na área externa da ferida cirúrgica. A administração alegou que, assim que a equipe de enfermagem e o médico responsável tomaram conhecimento do fato, foram iniciados os procedimentos de higienização e os cuidados assistenciais necessários.

Para afastar o risco de contaminação profunda ou comprometimento de estruturas internas, o ortopedista responsável determinou a transferência do adolescente ao centro cirúrgico para uma avaliação detalhada. A unidade informou que o procedimento foi realizado no período noturno devido à necessidade de priorizar outras cirurgias ortopédicas de urgência que chegaram à unidade ao longo do dia. Na avaliação sob ambiente estéril, segundo o hospital, não foi constatada a presença de miíase no interior da ferida.

A direção hospitalar reforçou que os curativos seguem a programação assistencial da equipe e que o paciente permanece acompanhado por profissionais de medicina e enfermagem, recebendo suporte multidisciplinar e orientações contínuas à família até que receba alta médica.

Sindicância do CRM-MT e desdobramentos na saúde pública

A gravidade da denúncia motivou a intervenção imediata do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). O conselho informou que o caso foi encaminhado ao setor de Sindicância e ao setor de Fiscalização, onde serão adotadas as medidas administrativas para verificar a conduta da equipe técnica e as condições estruturais oferecidas ao paciente durante a internação.

A ocorrência de miíase em ambiente hospitalar é vista por especialistas em saúde pública como um indicador sensível de vulnerabilidade nos cuidados de biossegurança, higienização de leitos e frequência na troca de curativos em pacientes acamados. O caso reacende o debate sobre a infraestrutura dos prontos-socorros regionais e a necessidade de fiscalização contínua sobre a qualidade do atendimento prestado à população.

Casos como esse ressaltam a importância do acompanhamento constante das políticas públicas e do respeito aos direitos dos pacientes. Para continuar bem informado sobre os desdobramentos dessa apuração, além de análises aprofundadas sobre saúde pública e cidadania, continue acompanhando as atualizações do Capital Capixaba, seu portal de notícias comprometido com a informação transparente e de qualidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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