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Policial civil é preso em flagrante após se irritar com som alto e disparar em via pública no interior de Mato Grosso

G1

Um investigador da Polícia Civil de Mato Grosso foi preso em flagrante na madrugada do último sábado (22), na cidade de Água Boa, localizada a 736 quilômetros de Cuiabá, sob a acusação de disparar uma arma de fogo em via pública e ameaçar frequentadores de um evento. O agente, identificado como Evandro Rosa dos Santos, teria se incomodado com o volume de um som automotivo que tocava no local, o que deu início ao tumulto. O caso lança luz sobre os limites da atuação de agentes de segurança fora do expediente e a crescente tensão em episódios envolvendo perturbação do sossego social.

A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar por volta das 2h da manhã, após chamados de emergência relatando barulho de tiros em uma área de loteamento recente, nas proximidades do posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). No local, reuniam-se diversos jovens e moradores em torno de veículos equipados com sistemas de som, uma prática comum em municípios do interior, mas que frequentemente gera divergências com vizinhos e autoridades sobre os limites de ruído.

Apuração no local e recolhimento de cápsulas

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelas autoridades locais, Evandro teria chegado ao local a bordo de um veículo de passeio, apresentando sinais visíveis de irritação e alteração comportamental por conta da poluição sonora. Testemunhas relataram que o investigador sacou uma pistola e efetuou múltiplos disparos para o alto. A atitude provocou pânico imediato entre os presentes, gerando correria e dispersão parcial do público.

Após efetuar os disparos, o suspeito identificou-se verbalmente como policial civil e deixou o loteamento temporariamente. Quando a primeira guarnição da Polícia Militar chegou para atender ao chamado, encontrou o público ainda assustado. Durante a varredura pericial preliminar no ponto indicado por testemunhas, os policiais militares localizaram e recolheram cinco cápsulas deflagradas de munição calibre 9 mm, do tipo <i>training</i> — utilizadas costumeiramente para treinamento, mas com potencial de causar severos danos.

Retorno do suspeito, ameaça e apreensão da arma

Enquanto os policiais militares realizavam o levantamento de informações e a coleta das provas materiais no local dos fatos, o investigador retornou ao loteamento. Ele foi prontamente reconhecido por vítimas e testemunhas como o autor da confusão. Abordado pelos agentes, Evandro admitiu que esteve na reunião momentos antes e confirmou ter efetuado os disparos para o alto com o objetivo de cessar o barulho do som automotivo.

Além da denúncia pelos tiros em via pública, o boletim de ocorrência incluiu o relato formal de uma das vítimas presentes no evento. Segundo o depoimento, o policial civil teria apontado o armamento diretamente em sua direção, ameaçando disparar caso a pessoa tentasse se aproximar ou contestar sua conduta. Diante disso, os policiais realizaram a apreensão da arma do agente: uma pistola Glock G19, geração 5, calibre 9 mm, juntamente com o carregador e munições restantes.

Desdobramentos administrativos e judiciais

Evandro Rosa dos Santos foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Água Boa, onde a autoridade policial de plantão ratificou o flagrante pelos crimes de disparo de arma de fogo em via pública (previsto no Estatuto do Desarmamento) e ameaça (previsto no Código Penal). Por envolver um membro da corporação, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Mato Grosso foi imediatamente notificada para instaurar procedimento administrativo disciplinar.

Em nota oficial enviada à imprensa, a Polícia Civil mato-grossense declarou que não compactua com condutas de seus servidores que violem a legislação vigente ou que contrariem os princípios éticos e operacionais da instituição. O órgão garantiu que o caso será apurado com rigor na esfera administrativa, respeitando o devido processo legal, sem prejuízo das sanções penais a que o servidor está sujeito. Nenhum dos envolvidos apresentou lesões corporais aparentes durante o registro da ocorrência.

O debate sobre a conduta policial e a perturbação do sossego

O episódio registrado em Água Boa reflete um dilema recorrente na segurança pública brasileira: o manuseio de armas de fogo por agentes fora de serviço em situações de conflito urbano interpessoal. Embora a perturbação do sossego alheio por som alto seja uma infração de trânsito e contravenção penal frequente em diversas regiões do país, o uso da força desproporcional por parte de quem detém o porte legal de arma representa um risco elevado à integridade da coletividade.

Especialistas em segurança pública ressaltam que agentes de segurança, mesmo quando de folga, mantêm o dever de agir dentro dos parâmetros constitucionais de mediação e legalidade. O acionamento dos canais oficiais de fiscalização ou de patrulhamento comunitário é a via indicada para conter eventuais abusos sonoros, evitando confrontos diretos que possam escalar para tragédias desnecessárias.

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Fonte: https://g1.globo.com

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