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Setor de rochas ornamentais reforça práticas sustentáveis e aposta em inovação para aumentar a competitividade no mercado global

Indústria de rochas busca dados para reduzir impacto ambiental. - Foto: Divulgação/Centrorochas

A indústria de rochas ornamentais no Brasil vive um momento de profunda transformação estrutural. Pressionado por exigências cada vez mais rigorosas do mercado internacional e pela necessidade de se alinhar às pautas globais de sustentabilidade, o setor vem acelerando a transição para modelos produtivos de menor impacto ambiental. As empresas do segmento estão investindo na coleta e análise de dados ambientais, na implantação de circuitos fechados para reúso de água e no reaproveitamento integral dos resíduos gerados durante a extração e o beneficiamento dos materiais.

Esse movimento ganha especial relevância no Espírito Santo, estado que lidera a produção e a exportação nacional de pedras naturais, como granitos, mármores e quartzitos. Historicamente associada a um alto consumo de recursos e à geração de rejeitos, a atividade extrativa capixaba busca consolidar uma nova imagem no exterior. O objetivo não é apenas atender à legislação ambiental local, mas transformar a responsabilidade socioambiental em um diferencial competitivo crucial para garantir espaço em mercados altamente regulados, como os Estados Unidos e os países da União Europeia.

Transparência e dados ambientais como estratégia de mercado

A adoção de métricas de ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa) deixou de ser um item secundário no planejamento estratégico dos grandes e médios produtores. Hoje, o monitoramento sistemático de dados ambientais permite quantificar com precisão a pegada de carbono do processo extrativo, a eficiência energética das indústrias de beneficiamento e o consumo relativo de insumos por metro quadrado de rocha produzida.

Com informações consolidadas, as empresas conseguem emitir declarações ambientais de produto (EPDs) e obter certificações internacionais de sustentabilidade. Esses selos funcionam como um passaporte para a inserção das rochas brasileiras em projetos de arquitetura de alto padrão e edifícios sustentáveis ao redor do mundo. Em muitos países europeus, a comprovação da origem responsável do material e o inventário de emissões são pré-requisitos em licitações públicas e grandes empreendimentos imobiliários, o que torna a gestão de dados um ativo comercial tão valioso quanto a própria qualidade estética da rocha.

Circuitos fechados de água e valorização dos resíduos

No campo operacional, o reúso da água representa uma das evoluções mais visíveis no setor. O corte e o polimento das chapas de rocha demandam volumes significativos de líquido para refrigeração dos maquinários e contenção de poeira. Atualmente, a implementação de sistemas modernos de decantação e prensa-filtro permite que mais de 95% da água utilizada nos processos industriais seja tratada e reintroduzida continuamente na cadeia produtiva, eliminando o descarte em corpos hídricos e reduzindo a captação de novos recursos.

Outra frente decisiva é a destinação da chamada "lama de beneficiamento", o resíduo fino gerado durante o desdobramento dos blocos. Antes vista como um passivo ambiental de difícil gestão, essa sobra passa a ser tratada dentro da lógica da economia circular. Pesquisas desenvolvidas em parceria com universidades e centros tecnológicos demonstraram a viabilidade do uso desse resíduo na fabricação de cimento, tijolos, cerâmicas, argamassas e até mesmo como corretivo de solo na agricultura. O desafio atual consiste em dar escala comercial a essas aplicações secundárias.

A disputa entre a pedra natural e os materiais sintéticos

A busca por maior sustentabilidade também responde a uma forte disputa de mercado contra os materiais sintéticos e aglomerados, conhecidos no setor como superfícies de quartzo fabricado. Embora promovidos por anos como alternativas modernas, esses produtos industrializados enfrentam crescente escrutínio internacional devido às emissões associadas à sua fabricação, ao uso de resinas petroquímicas e aos riscos à saúde dos trabalhadores envolvidos no seu manuseio, como a silicose.

Nesse cenário, a pedra natural ganha apelo junto a arquitetos e consumidores que buscam materiais autênticos, duráveis e de menor impacto ao longo do ciclo de vida. Por se tratar de um produto mineral criado pela natureza ao longo de milhões de anos, a rocha ornamental exige apenas processos mecânicos de extração e corte, sem a adição de componentes químicos sintéticos em sua composição principal. Quando aliada a processos industriais descarbonizados, a pedra natural brasileira reforça sua posição como uma opção ecologicamente superior.

Desafios de inclusão e o futuro do setor capixaba

Apesar dos avanços registrados nos principais polos produtores do Espírito Santo, a transição sustentável ainda enfrenta gargalos, especialmente no que tange à inclusão de pequenos e médios mineradores. A modernização do parque industrial e a implementação de tecnologias de monitoramento exigem investimentos financeiros relevantes e capacitação técnica contínua. Entidades setoriais têm atuado para oferecer suporte técnico e articular linhas de crédito voltadas à inovação sustentável.

A consolidação de práticas ecologicamente corretas é um caminho sem volta para o setor de rochas ornamentais. Ao unir inovação tecnológica, economia circular e transparência de dados, o segmento não apenas protege os ecossistemas locais, mas também assegura a liderança econômica do Espírito Santo no cenário internacional de materiais de revestimento.

O acompanhamento das transformações econômicas, industriais e ambientais que impactam o desenvolvimento regional e nacional é um compromisso permanente do Capital Capixaba. Continue acompanhando nosso portal para conferir reportagens aprofundadas, análises de mercado e a cobertura completa sobre os setores que impulsionam a economia do Espírito Santo e do Brasil.

Fonte: https://esbrasil.com.br

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