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Instagram terá ‘modo escola’ e veto a filtros de beleza para adolescentes após acordo bilionário da Meta nos EUA

Pedro S. Teixeira, da Agência Folhapress

Em uma das reestruturações mais profundas já anunciadas em suas políticas de uso para o público jovem, a Meta — conglomerado responsável pelas redes sociais Instagram e Facebook — firmou um acordo judicial histórico nos Estados Unidos. O compromisso visa encerrar um processo massivo movido por dezenas de jurisdições americanas e prevê a adoção do chamado <b>'modo escola'</b>, o veto a filtros de estética deformadores para adolescentes e limites rígidos de tempo diário, além do pagamento de US$ 16,68 bilhões em multas e compensações.

A ação original reunia 29 estados e acabou recebendo a adesão de outras dezenas de territórios norte-americanos. A acusação central apontava que as redes da empresa utilizavam recursos deliberadamente viciantes e nocivos para a saúde mental de crianças e adolescentes. O pacto evita que o caso chegue ao julgamento formal e estanca a divulgação pública de novos depoimentos e documentos sigilosos de ex-funcionários, que expunham fragilidades na moderação de conteúdos e na proteção contra a exploração infantil.

As novas regras: controle de tempo e o 'modo escola'

O conjunto de medidas acordado é direcionado à faixa etária de 13 a 17 anos — lembrando que a presença de menores de 13 anos permanece proibida nas plataformas. Uma das principais novidades é o 'modo escola', funcionalidade que desativa automaticamente todas as notificações <i>push</i> nos aparelhos entre 8h e 15h, de segunda a sexta-feira, impedindo que os aplicativos atuem como causadores diretos de distração durante as aulas.

Outro pilar relevante refere-se ao descanso noturno. Por padrão, o acesso aos aplicativos será bloqueado no período de meia-noite às 6h da manhã, com desativação total de alertas, janela que poderá ser expandida futuramente para o intervalo entre 22h e 7h. As plataformas estabelecerão ainda um limite cumulativo padrão de utilização diária de duas horas, com avisos de pausa a cada 60 e 90 minutos de navegação contínua. Para afrouxar qualquer uma dessas restrições, será indispensável a autorização expressa dos pais ou responsáveis.

Filtros de estética e verificação rigorosa de idade

Atendendo a uma das maiores preocupações de especialistas em psicopedagogia e pediatria, o acordo impõe a restrição de filtros de beleza que alterem feições físicas de adolescentes. A literatura médica aponta que esses recursos visuais estimulam a dismorfia corporal, aumentando taxas de ansiedade e depressão entre jovens ao promover padrões estéticos irreais. As plataformas também deverão priorizar a exibição da linha do tempo em ordem cronológica e manter a contagem de curtidas oculta por padrão.

Para coibir a presença de crianças com menos de 13 anos, a tecnologia recorrerá a novos modelos de inteligência artificial treinados para detectar e banir perfis irregulares. A verificação de idade passará a ser obrigatória, submetida a auditorias anuais promovidas por órgãos independentes. Com o intuito de preservar a privacidade, a Meta comprometeu-se a apagar imediatamente os dados biométricos ou documentos coletados na etapa de validação da idade, impedindo seu uso para fins comerciais ou publicitários.

Reflexos no Brasil e o contexto regulatório global

Ainda que as determinações sejam formalmente vinculadas às jurisdições dos Estados Unidos, o histórico das multinacionais de tecnologia demonstra que modificações estruturais no padrão de produto acabam refletindo globalmente. No Brasil, o debate sobre o dever de cuidado das grandes plataformas caminha em sintonia com a consolidação do Estatuto da Criança e do Adolescente na esfera digital (ECA Digital), demandando salvaguardas efetivas do setor tecnológico.

Questionada sobre a aplicação das medidas em território brasileiro, a Meta informou que já disponibiliza no país as 'contas de adolescentes', configuradas com ferramentas de supervisão parental. A empresa ressaltou que vai monitorar o desempenho das novas diretrizes nos Estados Unidos enquanto mantém diálogo contínuo com governos e reguladores mundiais para assegurar experiências adequadas a cada faixa etária.

Ao mesmo tempo em que a companhia nega culpa no processo americano e afirma ter cedido apenas em busca de conciliação, o movimento pressiona outros players do setor, como TikTok e YouTube, a adotarem padrões equivalentes. O cenário desenha um novo capítulo na relação entre infância, comportamento e tecnologias de retenção de atenção.

Compreender os impactos das grandes decisões tecnológicas na rotina das famílias e no desenvolvimento social é fundamental para navegar no mundo contemporâneo. No Capital Capixaba, você acompanha análises aprofundadas, reportagens contextuais e a cobertura diária das transformações que moldam a sociedade. Continue conectado ao nosso portal para ter acesso a um conteúdo diversificado, transparente e com o compromisso jornalístico que você merece.

Fonte: https://tribunaonline.com.br

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