As equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) continuam atuando pelo terceiro dia consecutivo no combate ao incêndio de grandes proporções que atingiu um galpão de móveis no bairro Rio Branco, localizado na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. A ocorrência mobiliza militares em uma operação complexa que combina o combate direto aos focos residuais e o trabalho contínuo de rescaldo. Até o momento, não há previsão para o encerramento definitivo das atividades no local.
A operação conta com a mobilização constante de sete guarnições e 16 bombeiros trabalhando diretamente na edificação. O objetivo principal dos profissionais nesta fase é garantir a eliminação de pontos de calor ocultos sob os escombros, impedindo que o fogo volte a se alastrar pela estrutura. A alta complexidade do combate está diretamente ligada à volumosa carga de combustível armazenada no interior do estabelecimento.
A alta carga de combustível e os desafios do MDF no combate às chamas
O elemento determinante para a longa duração dos trabalhos no galpão é a natureza do material estocado. O espaço abrigava uma quantidade expressiva de chapas de MDF (fibras de madeira de média densidade), insumo amplamente utilizado na indústria moveleira. Painéis derivados de madeira prensada e associados a resinas sintéticas possuem propriedades térmicas que dificultam a extinção imediata do fogo.
Quando o MDF entra em combustão, o calor tende a se impregnar no núcleo das placas. Mesmo que as chamas visíveis na superfície sejam debeladas, o interior do material permanece queimando em brasa por um período prolongado, criando focos profundos. Essa característica exige que os bombeiros realizem o revolvimento contínuo dos materiais queimados e a aplicação constante de água para resfriar a matéria-prima impregnada.
Risco de colapso estrutural e atuação da Defesa Civil
A par da dificuldade imposta pela carga de combustível, a integridade física do imóvel tornou-se um fator crítico para a segurança das equipes. Durante o avanço da operação, os bombeiros identificaram trincas e fissuras significativas nas paredes e estruturas de sustentação. O calor extremo e prolongado compromete a resistência do concreto e do aço, aumentando o risco de desabamentos parciais.
Diante do risco, a Defesa Civil de Belo Horizonte foi acionada para realizar o acompanhamento técnico da área. Técnicos do órgão estiveram no endereço para orientar os militares sobre os procedimentos seguros na abertura de novos acessos à edificação. Para alcançar pontos de difícil alcance, os bombeiros abriram duas passagens nas paredes laterais do imóvel com o auxílio de marteletes pneumáticos, viabilizando o resfriamento de áreas antes inacessíveis sem comprometer ainda mais a estrutura.
Impacto na rotina local e segurança da comunidade
A ocorrência no bairro Rio Branco mobilizou não apenas as forças de resgate, mas também causou apreensão entre moradores e comerciantes da região de Venda Nova. O volume de fumaça e a movimentação constante de viaturas alteraram a rotina do entorno, exigindo atenção contínua das autoridades para evitar que imóveis e comércios vizinhos fossem afetados pela propagação do calor ou de gases.
O episódio reforça os desafios enfrentados pelas grandes metrópoles na gestão de riscos em galpões comerciais situados próximos a zonas residenciais. O gerenciamento rigoroso de estoques e o cumprimento de normas de prevenção contra incêndio e pânico são vitais para mitigar acidentes dessa proporção e proteger vidas e patrimônios.
Próximas etapas e investigação das causas
Conforme os protocolos de segurança, a vistoria completa por parte da Defesa Civil nas lojas e imóveis afetados só será efetuada após a extinção total do incêndio e a liberação formal do local pelo Corpo de Bombeiros. A avaliação técnica dependerá do restabelecimento de condições seguras de acesso para os engenheiros.
Até o momento, as causas do incêndio não foram esclarecidas. A Perícia Técnica da Polícia Civil de Minas Gerais será responsável por apurar a origem do fogo assim que o trabalho de rescaldo for concluído, identificando eventuais falhas elétricas, acidentes operacionais ou outros fatores determinante para o sinistro.
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Fonte: https://www.metropoles.com