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Gilmar Mendes exige da Polícia Federal acesso integral aos dados de celular em processo no STF

KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou um pedido à Polícia Federal para obter a cópia integral das mídias extraídas do telefone celular do empresário Daniel Vorcaro. O material serve de sustentação para os elementos informativos da Petição 16.662, cujo julgamento está agendado para o plenário da Corte no dia 15 de setembro. O movimento de Mendes reabre o debate sobre a isonomia no acesso a provas dentro do colegiado e destaca a centralidade das perícias digitais em investigações de grande impacto no país.

O ofício foi direcionado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Na solicitação, o ministro detalhou que o conteúdo de interesse é fruto do Laudo nº 4281/2025, elaborado pelos peritos da instituição em São Paulo. Trata-se do acervo bruto de onde foram extraídas diversas conversas telefônicas e trocas de mensagens que passam a compor o arcabouço probatório submetido ao crivo da Suprema Corte.

Princípio da igualdade e decisão colegiada no Supremo

A principal justificativa apresentada por Gilmar Mendes fundamenta-se na garantia de condições iguais de julgamento entre os membros do tribunal. O decano tomou conhecimento de que a Polícia Federal já havia informado a Presidência do STF sobre a capacidade técnica de disponibilizar aos magistrados cópias fidedignas do acervo — nos mesmos moldes do material concedido anteriormente ao ministro André Mendonça.

Para o decano, a concessão do acesso a apenas um integrante do tribunal rompe a simetria necessária aos julgamentos colegiados. Em sua manifestação, Mendes enfatizou que o plenário do STF opera com base na igualdade jurisdicional de seus ministros. Dessa forma, caso um magistrado possua a totalidade das provas para estruturar seu voto ou posicionamento técnico, os demais também precisam contar com as mesmas ferramentas informativas para deliberar com segurança e precisão.

Esse tipo de posicionamento reflete uma preocupação recorrente nas sessões do Supremo: a de que decisões tomadas por um corpo de 11 juízes não fiquem reféns de assimetrias probatórias ou de recortes parciais disponibilizados ao longo da instrução processual. A transparência interna garante que a valoração dos elementos trazidos pela investigação seja feita de maneira homogênea e abrangente.

A relevância da cadeia de custódia na perícia digital

Além da busca por paridade, o pedido atinge um ponto sensível do direito processual penal contemporâneo: a preservação da cadeia de custódia das evidências digitais. A Polícia Federal assegurou em comunicação oficial que a duplicação dos dados pode ser realizada com individualização de lacres e certificação de integridade, mitigando qualquer risco de adulteração ou perda de rastreabilidade do conteúdo original.

Nos processos modernos, especialmente nos que envolvem a extração de grandes volumes de dados de dispositivos móveis, a integridade da mídia é elemento central para a validade das acusações e defesas. A visualização do contexto completo das mensagens — e não apenas de trechos descontextualizados contidos nos relatórios síntese — permite aos julgadores interpretar a real intenção e a veracidade das interações investigadas.

Expectativas para o julgamento e desdobramentos no STF

A solicitação da cópia integral ocorre a poucos dias da data prevista para que a Petição 16.662 entre na pauta do plenário da Corte. A inclusão do tema em pauta atrai a atenção do meio jurídico e político, uma vez que a deliberação dos ministros pode fixar parâmetros importantes sobre o manuseio de provas digitais e a extensão do direito de defesa em investigações correlatas.

A expectativa agora gira em torno do cumprimento da diligência pela Polícia Federal e do eventual impacto do envio dos dados no cronograma do julgamento. Caso haja necessidade de mais tempo para a análise do volumoso material técnico por parte dos gabinetes dos ministros, não se descarta a possibilidade de pedidos de vista ou de ajustes na condução da pauta pela Presidência do STF.

O episódio evidencia a constante busca por equilíbrio procedimental em instâncias superiores, onde o alinhamento das garantias constitucionais precisa caminhar lado a lado com o avanço dos métodos tecnológicos de investigação. A decisão final do colegiado representará mais um capítulo relevante sobre os limites da instrução probatória e o papel da perícia técnica no Judiciário brasileiro.

Acompanhar os desdobramentos das grandes decisões do Supremo Tribunal Federal e os rumos da Justiça no país exige informação precisa e análise contextualizada. No Capital Capixaba, você encontra cobertura diária sobre os principais acontecimentos do cenário nacional, com o compromisso de entregar notícias apuradas e relevantes para o seu dia a dia. Siga nossas atualizações e permaneça bem informado sobre este e outros temas fundamentais.

Fonte: https://www.metropoles.com

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