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Crédito rural impulsiona transformação no campo e viabiliza o primeiro beijandário do Espírito Santo

Texto: Julio Huber e Bruno Faustino / Foto: Julio Huber

Nas montanhas capixabas, o cenário agrícola tradicional vem ganhando novas nuances com a expansão da economia de experiência. Em Domingos Martins, na influente região turística de Pedra Azul, uma propriedade rural que por três décadas esteve focada exclusivamente no cultivo de hortaliças transformou sua dinâmica de trabalho. O empreendimento Dom Douro Agroturismo é um reflexo direto dessa mudança cultural e econômica, aliando a produção agrícola ao atendimento ao público e culminando na criação do primeiro beijandário do Espírito Santo.

A trajetória da família Douro reflete a rotina do campo capixaba. Lorival Douro, de 36 anos, cresceu acompanhando o trabalho na roça. Contudo, a necessidade de diversificar as fontes de renda e agregar valor à terra tornou-se evidente durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19. O isolamento social e a busca crescente dos moradores de grandes centros por passeios ao ar livre, contato com a natureza e produtos artesanais acenderam o alerta para novas oportunidades de mercado.

Da colheita tradicional à economia de experiência

Percebendo a alteração no perfil do consumidor, Lorival iniciou uma transição gradual no sítio. A agricultura estritamente convencional cedeu espaço a um modelo híbrido. A propriedade passou a abrir as portas para visitantes interessados em vivenciar o cotidiano rural através do sistema de colheita de morangos, além de oferecer uma estrutura comercial própria.

Atualmente, a loja do local comercializa itens de fabricação artesanal derivados da própria produção, como geleias, licores e massas. No entanto, o grande diferencial e vetor de atratividade do espaço tornou-se o Beijandário. Inspirado no conceito de campos temáticos de flores, como os lavandários, o proprietário apostou no cultivo ostensivo da flor conhecida popularmente como 'beijo'. O resultado visual transformou o local em um polo de atração para turistas, ensaios fotográficos, casais e famílias em busca de registros contemplativos.

O papel do crédito e do cooperativismo na modernização rural

A migração de um perfil exclusivamente produtivo para o segmento de agroturismo exige infraestrutura, planejamento e aporte financeiro. Na avaliação de Lorival Douro, a capacidade de inovação no agronegócio depende diretamente do acesso a linhas de crédito compatíveis com a realidade do pequeno produtor rural.

Foi por meio do apoio financeiro que a propriedade conseguiu erguer suas primeiras estufas de morango protegidas, garantindo previsibilidade de safra e qualidade visual para os visitantes. Associado ao Sicoob desde 2007, o agricultor destaca que o financiamento funcionou como a alavanca necessária para tirar os projetos do papel no momento em que a capitalização própria ainda era insuficiente.

Além do aporte financeiro, o modelo cooperativo destaca-se pelo atendimento personalizado. A proximidade entre o gestor da instituição e o produtor rural facilita a tomada de decisões e reduz a burocracia, fator decisivo para quem precisa gerenciar simultaneamente a rotina da lavoura e a recepção de visitantes.

Impacto econômico e apoio técnico na região de Pedra Azul

A transformação vivenciada na propriedade Dom Douro não é um caso isolado, mas parte de um movimento consolidado na região serrana do estado. O fortalecimento do agroturismo em Pedra Azul tem impulsionado a conversão de antigas áreas agrícolas em pousadas, restaurantes e espaços de lazer temáticos.

Segundo dados da gerência de Relacionamento e Negócios do Sicoob Sul-Serrano, o volume de crédito rural liberado pela instituição na região atingiu a marca de R$ 20 milhões em 2025. Esse montante tem como objetivo fomentar melhorias produtivas, incentivar a inovação no campo e garantir que o capital gerado circule e fortaleça a própria economia regional.

Para além do financiamento bancário, o avanço da atividade exigiu capacitação em gestão e posicionamento de mercado. Parcerias com instituições de apoio às micro e pequenas empresas, como o Sebrae, foram fundamentais na estruturação da marca, no design de rótulos dos produtos e na profissionalização do atendimento ao cliente.

A história da transição no interior capixaba demonstra que a combinação entre tradição agrícola, acesso ao crédito e inovação turística pode redefinir o futuro de propriedades rurais familiares. Acompanhe a cobertura completa sobre economia regional, agronegócio e desenvolvimento no Capital Capixaba e mantenha-se bem informado sobre os fatos que movimentam o Espírito Santo.

Fonte: https://www.montanhascapixabas.com.br

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