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Coordenadora do plano econômico de Flávio Bolsonaro critica fim da jornada 6×1 e defende flexibilização de contratos

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, responsável por coordenar a pauta econômica do programa de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a corrida presidencial, posicionou-se abertamente contra as propostas que visam extinguir a escala de trabalho 6×1 no Brasil. A declaração foi feita durante um evento promovido pelo Lide, grupo empresarial idealizado pelo ex-governador paulista João Doria, realizado no Rio de Janeiro.

Durante sua exposição para lideranças do setor produtivo, Daniella classificou o debate sobre o fim do modelo de seis dias de trabalho por um de descanso como "populista" e "inócuo" diante da realidade socioeconômica vivenciada pela maior parte das famílias brasileiras. Em sua avaliação, a imposição de novos limites rígidos pelo Estado tende a engessar as relações trabalhistas e elevar indevidamente os custos suportados por quem emprega.

Liberdade contratual versus regulamentação estatal

A tese defendida pela coordenadora econômica fundamenta-se na ampla flexibilização das negociações entre patrões e empregados, sem a tutela ostensiva da legislação estatal. Para a economista, o foco da discussão não deveria se concentrar no formato ou na duração das escalas de trabalho atualmente vigentes, mas sim na concessão de plena autonomia para a pactuação dos contratos de trabalho.

“O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser. É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa enquanto quem produz não vai ter condição de arcar com o aumento do custo de mão de obra. Vai ter um custo enorme em relação a isso”, argumentou Marques. Segundo ela, o verdadeiro problema do mercado de trabalho nacional é a falta de liberdade do cidadão para negociar diretamente com a empresa as suas condições de atuação.

A equipe econômica ligada a Flávio Bolsonaro sustenta que a coexistência de variados modelos flexíveis de contrato permitiria ao trabalhador optar pela jornada que melhor atenda às suas necessidades financeiras e pessoais, ao mesmo tempo em que preservaria a saúde financeira dos empreendedores.

O confronto de pautas e o apoio governamental à redução

O posicionamento de Daniella Marques contrapõe-se diretamente à pauta encabeçada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por parlamentares de partidos de esquerda no Congresso Nacional. O Palácio do Planalto sinalizou apoio a Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que visam alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para reduzir o limite máximo de horas semanais das atuais 44 para até 36 ou 40 horas, extinguindo compulsory a jornada 6×1 e garantindo dois dias fixos de folga.

A pauta da revisão da jornada ganhou forte apelo popular nas redes sociais e em mobilizações de trabalhadores urbanos, tornando-se uma das principais bandeiras políticas sinalizadas pelo governo para o próximo ciclo eleitoral. Defensores do fim da escala 6×1 alegam que o modelo compromete a saúde mental da classe trabalhadora, reduz o tempo de convívio familiar e prejudica a qualificação profissional dos empregados.

Reflexos no setor produtivo e no mercado de trabalho

A controvérsia ao redor do tema atinge com intensidade segmentos intensivos em mão de obra, como o comércio varejista, os serviços, a gastronomia e a hotelaria — setores cruciais para a economia nacional e regional. Entidades empresariais alertam que a transição direta para regimes mais reduzidos sem redução proporcional de salários acarretaria aumento expressivo na folha de pagamento, pressionando a inflação e forçando o repasse de preços ao consumidor.

Por outro lado, economistas favoráveis à mudança argumentam que a melhora do bem-estar dos empregados se reflete no ganho de produtividade e no aquecimento do consumo local nos dias de folga expandidos. O embate sobre o modelo de trabalho ideal reforça a centralidade dos debates econômicos na construção da agenda legislativa e eleitoral do país.

Para acompanhar os desdobramentos dessa e de outras propostas que afetam o mercado de trabalho, o setor econômico e a rotina dos trabalhadores e empresários, continue acompanhando a cobertura jornalística completa do Capital Capixaba.

Fonte: https://oglobo.globo.com

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