O lançamento oficial da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, realizado na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, reuniu cerca de 8,9 mil pessoas no seu momento de maior concentração. O dado faz parte do levantamento divulgado pelo Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), vinculado à Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a organização não governamental More in Common. A medição acompanhou a movimentação dos manifestantes ao longo da manhã deste domingo (16/8) e apontou as 11h30 como o horário de pico da presença de público no local.
A contagem trabalha com uma margem de erro estimada em 12% para mais ou para menos. Com essa oscilação técnica, a estimativa do número real de participantes presentes no trecho da orla carioca varia entre 7,8 mil e 9,9 mil pessoas. Os dados obtidos servem como um termômetro inicial para avaliar o poder de mobilização de rua do parlamentar no arranque de sua corrida eleitoral ao Palácio do Planalto.
Queda expressiva em comparação a mobilizações passadas na orla carioca
O volume de público registrado no primeiro grande evento de Flávio Bolsonaro ficou consideravelmente abaixo do patamar alcançado em manifestações anteriores promovidas pelo campo político conservador na mesma praia. Como o Monitor do Debate Político utiliza rigorosamente a mesma metodologia de aferição desde agosto de 2022, a série histórica possibilita a comparação direta entre os diferentes atos realizados em Copacabana.
Em 16 de março de 2025, por exemplo, um ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em defesa da anistia aos condenados pelos eventos de 8 de Janeiro reuniu 18,3 mil pessoas no momento de maior pico. Anteriormente, em 21 de abril de 2024, outro encontro liderado pelo ex-mandatário na orla carioca alcançou uma estimativa de 32,7 mil apoiadores. Já durante as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022 — período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência e disputava a reeleição —, o levantamento da USP/Cebrap contabilizou cerca de 64,6 mil participantes.
Apesar do público reduzido em relação às marcas anteriores, aliados do pré-candidato buscaram minimizar a diferença de engajamento, destacando que a campanha está apenas em sua fase inicial. O ato na praia fluminense contou com discursos de lideranças da legenda, incluindo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que pediu votos para Flávio e declarou aos apoiadores que o marido regressará em breve à cena pública.
Tecnologia de inteligência artificial e imagens aéreas na apuração
Para chegar ao cálculo da multidão, a equipe de pesquisadores aplicou um protocolo que combina captação de imagens aéreas e processamento computacional avançado. Ao longo do evento, foram realizados sete registros com drones em horários distintos, entre 9h45 e 12h30. Após a identificação do pico de densidade às 11h30, foram selecionadas sete fotografias de alta resolução daquele instante, cobrindo toda a extensão ocupada sem sobreposição de percursos.
As fotos selecionadas foram analisadas pelo software Point to Point Network (P2PNet), uma tecnologia de inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Chequião, na China, em parceria com a empresa Tencent. O algoritmo, treinado com um banco de dados de imagens brasileiras validadas pela USP, identifica e marca cada cabeça presente nas fotos. A ferramenta possui precisão de 72,9% e acurácia de 69,5% na contagem individual, com erro médio de 12% para agrupamentos acima de 500 pessoas. Para garantir a transparência da pesquisa, o conjunto de imagens utilizado foi disponibilizado para conferência pública.
Ausência de medição no ato de Lula em São Bernardo do Campo
O relatório publicado pelos pesquisadores ressalta que não foi possível realizar um comparativo do público de Copacabana com o evento de abertura da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), promovido também no domingo, no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP). A inviabilidade do levantamento no ato governista ocorreu porque a Presidência da República não autorizou o sobrevoo do drone necessário para o registro das imagens.
Segundo os responsáveis pelo Monitor e pela More in Common, a autorização de sobrevoo havia sido concedida pelas autoridades em eventos semelhantes no ano de 2022. Diante da ausência do material aéreo indispensável para a calibragem do software, não foi emitida nenhuma estimativa técnica sobre o total de participantes na atividade do candidato à reeleição em solo paulista.
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Fonte: https://www.metropoles.com