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Anvisa aprova novo tratamento para doença do enxerto contra hospedeiro

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo relevante para a medicina hematológica no Brasil ao aprovar o registro do Niktimvo (axatilimabe). O medicamento, um anticorpo monoclonal de última geração, é indicado para o tratamento da doença crônica do enxerto contra o hospedeiro (DECH) em adultos e pacientes pediátricos com peso igual ou superior a 40 quilos. A decisão traz uma nova perspectiva de tratamento para pessoas que enfrentam complicações graves e frequentemente debilitantes após a realização de um transplante de medula óssea.

A doença do enxerto contra o hospedeiro é uma das intercorrências mais complexas associadas ao transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas — procedimento no qual o paciente recebe células de um doador compatível para tratar enfermidades como leucemias, linfomas e aplasia de medula. Em sua forma crônica, a reação costuma se manifestar após 100 dias do procedimento. O problema ocorre quando os linfócitos T do doador reconhecem os tecidos do próprio receptor como elementos estranhos e passam a atacá-los de forma contínua.

O impacto da complicação na qualidade de vida dos pacientes

Diferente das reações agudas iniciais, a DECH crônica pode afetar múltiplos órgãos e sistemas, causando lesões progressivas na pele, nos olhos, na cavidade oral, no fígado, nos pulmões e nas articulações. O avanço da inflamação e da fibrose tecidual compromete severamente a autonomia do paciente e restringe tarefas simples do cotidiano. Segundo ressaltou a Anvisa, a condição está associada a uma elevada taxa de morbidade, prejuízo acentuado ao bem-estar e aumento na taxa de mortalidade.

Historicamente, a primeira linha de combate a essa resposta imunológica baseia-se no uso prolongado de corticoides e outros imunossupressores. No entanto, uma parcela expressiva dos indivíduos não apresenta resposta satisfatória ou desenvolve resistência aos medicamentos convencionais. Para os pacientes que apresentam falha após múltiplas linhas de terapia sistêmica, as opções no mercado eram escassas, o que caracterizava uma necessidade médica urgente e até então não atendida pela comunidade científica.

Mecanismo de ação e eficácia comprovada nos ensaios clínicos

É exatamente nesse cenário de esgotamento de alternativas que o axatilimabe atua. O Niktimvo funciona como um anticorpo monoclonal projetado para bloquear o receptor do fator estimulador de colônias 1 (CSF-1R). Essa via de sinalização desempenha um papel central no recrutamento e na ativação de monócitos e macrófagos, células do sistema imune diretamente envolvidas nos processos inflamatórios e na consolidação de fibroses características da doença.

A autorização concedida pela agência reguladora brasileira fundamentou-se nos resultados de estudos clínicos com pacientes refratários a outros tratamentos. A pesquisa demonstrou que a administração da dose de 0,3 miligrama por quilo (mg/kg), aplicada a cada duas semanas, apresentou a melhor relação entre benefício e risco. Sob esse esquema de dosagem, o medicamento alcançou uma taxa de resposta global de 73,8% nos primeiros seis ciclos de tratamento, promovendo controle expressivo das manifestações clínicas da enfermidade.

Perspectivas para a chegada do medicamento ao mercado nacional

Com a concessão do registro sanitário pela Anvisa, a nova opção terapêutica avança para as etapas seguintes do processo regulatório brasileiro. Antes de ser comercializado e distribuído nos serviços de saúde, o fármaco deverá ter seu teto de preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Adicionalmente, as instâncias competentes deverão avaliar sua futura inclusão nos méritos de cobertura por planos de saúde e na rede pública de atendimento.

A chegada do Niktimvo ao país representa um avanço importante na consolidação de terapias-alvo na oncologia e hematologia. Para a comunidade médica e as associações de pacientes, a disponibilidade de uma droga com mecanismo inovador oferece a chance de restabelecer a qualidade de vida de pessoas que superaram o câncer de sangue, mas ainda lutam diariamente contra as sequelas da reatividade imunológica pós-transplante.

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Fonte: https://www.folhavitoria.com.br

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