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Dor de cabeça frequente? Veja quando o problema pode estar na mandíbula

Dra. Martha Salim

A dor de cabeça figura entre as queixas de saúde mais comuns da população brasileira. Seja uma pontada eventual após um dia estressante ou um desconforto crônico que se repete ao longo das semanas, a cefaleia tem um impacto direto na produtividade do trabalho, na qualidade do sono e no bem-estar diário de milhares de pessoas. Diante de dores recorrentes, a reação mais natural costuma ser a busca por um neurologista. Contudo, em uma parcela significativa dos casos, o verdadeiro ponto de origem do problema pode estar em outra estrutura: na articulação temporomandibular e na musculatura mastigatória.

A atuação do cirurgião-dentista no diagnóstico e no tratamento desse desconforto tem ganhado cada vez mais respaldo e destaque no meio da saúde. Quando a estrutura mandibular não funciona em harmonia com os músculos e ligamentos da face, surge o quadro conhecido como Disfunção Temporomandibular (DTM) — uma condição versátil que se manifesta de formas diversas e, frequentemente, é confundida com outros tipos de dor de cabeça.

O que é a DTM e como reconhecer os sinais no dia a dia

A Disfunção Temporomandibular compreende um conjunto de alterações que afetam as articulações temporomandibulares (localizadas logo à frente das orelhas), os músculos encarregados da mastigação e as estruturas associadas. Quem vive com essa condição costuma relatar dores na região da face, desconforto nas têmporas, sensibilidade ao redor dos ouvidos, rigidez ou limitação ao abrir a boca, além de estalos e ruídos articulares durante os movimentos mandibulares.

A relação entre o sistema mastigatório e a dor na cabeça é tão bem documentada pela ciência que a Classificação Internacional das Cefaleias possui um diagnóstico específico denominado “cefaleia atribuída à disfunção temporomandibular”. No entanto, a simples presença simultânea de dor de cabeça e incômodo na mandíbula não é suficiente para confirmar que uma condição é a causa direta da outra.

Para estabelecer esse elo, os profissionais de saúde analisam se a dor de cabeça se modifica com a função mandibular. Perguntas como: a dor piora ao mastigar alimentos consistentes? O desconforto surge após longos períodos apertando os dentes? A pressão aumenta ao abrir a boca amplamente? Há dor na região das têmporas associada aos movimentos da mandíbula? Respostas afirmativas a essas questões fornecem pistas valiosas de que a articulação orofacial está diretamente envolvida no sintoma.

A conexão entre enxaqueca, cefaleia tensional e o nervo trigêmeo

A interação entre o sistema orofacial e as dores de cabeça é ampla e complexa. Revisões sistemáticas e meta-análises recentes demonstram uma forte associação entre a DTM e cefaleias primárias, em especial a migrânea (enxaqueca) e a cefaleia do tipo tensional. Pacientes que sofrem com esses quadros apresentam maior prevalência de DTM dolorosa, particularmente nos músculos utilizados para a mastigação.

Isso não significa, todavia, que a DTM seja a causa primária de toda enxaqueca ou que tratar a mandíbula vá resolver qualquer tipo de cefaleia de forma milagrosa. A explicação para essa frequente sobreposição reside na forma como o sistema nervoso central processa a dor. Estruturas da face, articulações e músculos mastigatórios compartilham vias nervosas sensitivas ligadas ao nervo trigêmeo — uma estrutura chave também no desenvolvimento das cefaleias. Com o tempo e a persistência da dor, ocorre um aumento na sensibilidade do sistema nervoso, facilitando o surgimento de múltiplos sintomas dolorosos conectados.

O bruxismo — hábito de apertar ou ranger os dentes — também requer atenção especial. Embora a hiperatividade muscular provocada pelo bruxismo possa agravar uma DTM dolorosa, os dois termos não são sinônimos. Além disso, a simples presença de marcas ou desgastes nos dentes não prova a existência de bruxismo ativo e nem justifica, isoladamente, a causa de uma dor de cabeça, exigindo sempre uma análise clínica individualizada.

Tratamento conservador e sinais de alerta para investigação médica

A avaliação com um cirurgião-dentista especialista em DTM e dor orofacial é indicada quando a dor se concentra nas têmporas, piora ao movimentar a mandíbula ou é reproduzida durante o exame físico dos músculos faciais. O foco do tratamento moderno não é realizar alterações agressivas na arcada dentária, mas sim identificar os mecanismos causadores da dor e utilizar estratégias conservadoras. Condutas como conscientização sobre hábitos faciais, exercícios terapêuticos, fisioterapia e o uso pontual de placas oclusais desempenham papel fundamental no alívio da sobrecarga articular.

Por outro lado, é crucial reconhecer a importância da atuação multidisciplinar. Como a cefaleia possui dezenas de origens possíveis, o acompanhamento integrado entre dentistas, neurologistas e fisioterapeutas garante uma abordagem mais segura e eficiente.

Ademais, certas dores de cabeça não devem ser atribuídas à mandíbula e exigem socorro médico imediato. Episódios de dores súbitas e extremamente intensas, ou que vêm acompanhadas de febre, confusão mental, desmaios, fraqueza em membros, alterações na visão ou na fala representam sinais de alerta vermelhos que necessitam de avaliação neurológica de emergência.

Compreender os sinais do próprio corpo e buscar um diagnóstico preciso é o caminho ideal para tratar a dor de cabeça com segurança e recuperar o bem-estar. Para continuar acompanhando reportagens completas sobre saúde, qualidade de vida e os assuntos mais relevantes do Espírito Santo e do Brasil, continue navegando no portal <b>Capital Capixaba</b>, o seu espaço de informação com credibilidade, profundidade e compromisso com o leitor.

Fonte: https://www.folhavitoria.com.br

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