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Tecnologia inédita amplia alternativas para o tratamento de arritmias cardíacas no Espírito Santo

Alice Sarcinelli

O cuidado com a saúde cardiovascular ganhou um importante aliado no Espírito Santo. Coincidindo com as reflexões promovidas pelo Dia Mundial do Coração, hospitais capixabas deram um passo decisivo na modernização da eletrofisiologia — especialidade médica dedicada ao diagnóstico e tratamento das alterações nos batimentos do coração. Instituições de referência no estado, como o Vitória Apart Hospital e o Hospital Santa Rita, iniciaram a utilização de uma tecnologia de ponta conhecida como ablação por campo pulsado (PFA, na sigla em inglês).

A novidade coloca o estado em posição de destaque na medicina de alta complexidade do país. A técnica surge como uma evolução significativa sobre as abordagens convencionais, oferecendo intervenções mais céleres, seguras e personalizadas para pacientes diagnosticados com arritmias complexas, como a fibrilação atrial.

Como funciona a ablação por campo pulsado

Para compreender o salto tecnológico, é necessário analisar as limitações dos métodos tradicionais. Historicamente, a ablação de arritmias fundamenta-se no uso de energia térmica — seja pela radiofrequência, que utiliza o calor para cauterizar o tecido cardíaco alterado, ou pela crioablação, que atua por congelamento. Embora consolidadas, essas técnicas exigem cautela redobrada, pois a variação de temperatura pode afetar indesejadamente estruturas vizinhas ao coração, como o esôfago e os nervos frênicos.

A ablação por campo pulsado altera essa mecânica. Em vez de utilizar variações térmicas, a PFA dispara pulsos elétricos de alta voltagem e curta duração que atuam de forma seletiva sobre as células cardíacas. A energia causa a desestruturação da membrana celular do tecido responsável pelos circuitos elétricos anômalos — processo denominado eletroporação —, sem danificar vasos sanguíneos, nervos ou órgãos adjacentes. Essa seletividade preserva tecidos sadios e eleva os índices de segurança dos procedimentos.

Precisão técnica e otimização do tempo cirúrgico

Na prática clínica, a introdução da tecnologia simplifica a dinâmica hospitalar e otimiza a rotina das equipes cirúrgicas. No Vitória Apart Hospital, a nova ferramenta atua integrada a sistemas de mapeamento tridimensional, permitindo aos médicos visualizar a anatomia cardíaca em tempo real e identificar com exatidão os pontos que demandam intervenção.

O cardiologista Márcio Augusto Silva detalha o impacto da inovação diante da fibrilação atrial, uma das arritmias mais frequentes na população. Segundo o médico, nessa condição os estímulos que coordenam o ritmo cardíaco entram em desordem, fazendo com que os átrios tremulem de maneira desequilibrada. A ablação tem o objetivo de isolar e interromper as vias que originam esse ritmo anômalo. Com a PFA, torna-se possível tratar áreas mais extensas em menos tempo, o que reduz a duração total da cirurgia e diminui a exposição do paciente à anestesia e ao escaneamento por imagem.

Versatilidade para tratamentos simples e complexos

A versatilidade das novas ferramentas também é um dos destaques no Hospital Santa Rita. O médico eletrofisiologista Fabrício Vassalo, doutor em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP), destaca que a ampliação dos dispositivos disponíveis permite enfrentar desde episódios iniciais de fibrilação atrial até quadros mais avançados ou arritmias ventriculares, que exigem cuidado extremo por se originarem nas câmaras inferiores do coração.

Entre os novos recursos adotados estão cateteres como o TactiFlex Duo e o sistema Volt, ambos desenvolvidos pela Abbott e com registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O diferencial dessas plataformas inclui a capacidade de alternar entre radiofrequência e campo pulsado em um único procedimento ou utilizar um mesmo dispositivo para as fases de mapeamento e aplicação. Essa flexibilidade reduz a necessidade de troca de materiais ao longo do ato cirúrgico e possibilita a adaptação do tratamento às particularidades anatômicas de cada paciente.

Avanço na assistência à saúde no estado

As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de mortalidade no Brasil, e condições como a fibrilação atrial estão diretamente associadas a complicações graves, como o acidente vascular cerebral (AVC) e a insuficiência cardíaca. A expansão de alternativas terapêuticas minimamente invasivas no Espírito Santo assegura ao paciente local o acesso a recursos modernos, sem a necessidade de deslocamento para outros grandes centros do país.

A combinação de intervenções mais rápidas e menor agressão aos tecidos favorece uma recuperação pós-operatória mais tranquila e um retorno célere às atividades diárias. O fortalecimento da infraestrutura hospitalar capixaba reafirma o compromisso do setor de saúde local com a incorporação de inovações tecnológicas de impacto real na qualidade de vida da população.

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Fonte: https://www.folhavitoria.com.br

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