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Famílias do Espírito Santo mantêm viva a tradição e inovam na venda de produtos da roça

Beatriz Brandão

O interior do Espírito Santo sempre se destacou pela força e diversidade da agricultura familiar. Mais do que garantir o sustento das populações rurais, a produção do campo vem se transformando em um potente motor de inovação, empreendedorismo e valorização cultural. Essa união entre os saberes das antigas gerações e o desejo de criar novos produtos ficou em evidência durante a realização da 21ª Feira da Agricultura Familiar e Reforma Agrária do Espírito Santo (Feafes) e da 8ª Feira Estadual das Mulheres Trabalhadoras Rurais (Femtru), realizadas recentemente na Praça do Papa, em Vitória.

O evento reuniu centenas de produtores de diversos municípios capixabas e movimentou mais de R$ 1 milhão em negócios, segundo estimativas da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Espírito Santo (Fetaes). Além do impacto financeiro direto na renda dos agricultores, os encontros serviram como vitrine para a rica gastronomia artesanal e para o artesanato local, mostrando como o meio rural capixaba tem se adaptado às exigências de um mercado consumidor cada vez mais atento à qualidade e à história por trás de cada alimento.

Da necessidade à premiação internacional: o exemplo de Marechal Floriano

Entre os estandes da feira, trajetórias de superação e reinvenção chamaram a atenção do público. Uma das histórias mais emblemáticas é a da família de Daniela e Anderson Hollunder, moradores de Marechal Floriano, na Região Serrana do estado. Dedicados originalmente ao cultivo tradicional de hortaliças, eles viram a renda familiar ser ameaçada durante o período crítico da pandemia. Diante das incertezas, a solução encontrada foi diversificar o trabalho na propriedade rural.

Sem experiência prévia na pecuária leiteira ou no processamento de derivados, o casal adquiriu a primeira vaca e começou do zero. Com pesquisas constantes, troca de conhecimentos com outros agricultores e qualificação técnica, Daniela transformou o aprendizado em negócio. Assim nasceu a queijaria artesanal do Sítio Hollunder, empreendimento que hoje envolve também o filho do casal, Estêvão, e a sogra de Daniela, dona Ilsa.

A dedicação resultou em queijos artesanais diferenciados que conquistaram prêmios em concursos de nível nacional e internacional. Um dos destaques da marca é o queijo maturado com café, criação inovadora que une dois dos produtos mais simbólicos das montanhas capixabas. A história da família reflete como a busca por inovação pode converter momentos de crise em oportunidades de consolidação no mercado.

Unindo conhecimento acadêmico e tradição no campo

O fortalecimento da agricultura familiar no estado também passa pela sucessão geracional e pela qualificação profissional. Em Muniz Freire, no assentamento Ouro Verde, a jovem Rakiely Martins decidiu unir a paixão pela cafeicultura, herdada de seu pai, Oliveira Teodoro, ao conhecimento técnico obtido na faculdade de Agronomia.

O costume familiar de consumir café no dia a dia ganhou um novo rumo quando a família percebeu o potencial dos grãos especiais. Ao aprimorar os processos de cultivo, colheita seletiva e secagem, pai e filha criaram o <i>Café Mãos de Ouro</i>. A iniciativa agrega o trabalho de várias gerações às boas práticas agrícolas modernas, mostrando a importância de manter os jovens no campo com perspectiva de desenvolvimento econômico sustentável.

Empreendedorismo feminino e o fortalecimento da economia regional

Outro pilar de transformação no meio rural é a ascensão da agroindústria familiar impulsionada pelas mulheres. Um exemplo é o de Carol Carvalho, que trocou a atuação na área comercial no setor de decoração para gerenciar, ao lado do marido, a produção artesanal da marca Vó Tânia. O empreendimento aposta em receitas afetivas para a fabricação de pães, bolos e biscoitos caseiros, destacando-se por itens como o biscoito casadinho e broas artesanais de limão-siciliano.

Para o presidente da Fetaes, Clébio Brambati, a constante capacidade de inovação dos produtores rurais fortalece a identidade regional e atrai novos consumidores. A comercialização direta nas feiras não apenas assegura faturamento imediato, como fortalece o valor das marcas locais e reaproxima a população urbana da realidade do campo.

A preservação do conhecimento tradicional alinhada à inovação consolida o meio rural capixaba como uma fonte inestimável de riqueza cultural e econômica. Para continuar acompanhando reportagens, análises e as principais notícias sobre o desenvolvimento rural, a economia e a cultura do Espírito Santo, continue navegando no portal <b>Capital Capixaba</b>, seu espaço de informação diária com credibilidade e compromisso com o leitor.

Fonte: https://tribunaonline.com.br

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