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Projeto da UFMT para combater tuberculose ganha prêmio nacional e será ampliado para todo o Brasil

G1

Uma tecnologia desenvolvida no interior de Mato Grosso promete transformar o monitoramento e o controle da tuberculose em todo o país. Trata-se do projeto SMART-TB Mobile, idealizado pelo Laboratório de Pesquisa em Epidemiologia e Geoprocessamento do Araguaia, vinculado ao Campus Universitário do Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Barra do Garças. A iniciativa conquistou o Prêmio Prof. Afrânio Kritski de Excelência Científica em Tuberculose, concedido pela Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (REDE-TB) durante o XIII Workshop Nacional da entidade, realizado em Brasília.

A conquista reconhece uma solução que alia inteligência artificial, análise espacial e dados epidemiológicos no combate a uma das doenças infectocontagiosas mais antigas e desafiadoras da saúde pública. Após ser testada na rede pública de Mato Grosso, a ferramenta recebeu apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para expandir sua escala e passar a atender todo o território nacional.

Monitoramento inteligente e inteligência artificial preditiva

A iniciativa é coordenada pela professora Josilene Dália Alves, da UFMT, e conta com o desenvolvimento tecnológico do professor André da Silva Abade, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), além do trabalho de estudantes e pesquisadores parceiros. O sistema opera em duas frentes integradas para auxiliar gestores e equipes médicas.

A primeira frente consiste em uma plataforma web direcionada à gestão em saúde. O ambiente compila gráficos e mapas interativos que identificam o comportamento espacial da tuberculose em diferentes municípios. Por meio de análises de aglomeração espacial (clusters), a ferramenta aponta com precisão as áreas de maior risco de transmissão, permitindo que governos e secretarias de saúde direcionem campanhas e recursos de forma estratégica para onde a necessidade é mais crítica.

A segunda frente é o aplicativo móvel, projetado para o trabalho rotineiro dos profissionais de saúde da atenção primária. Ao registrar e cruzar dados clínicos e determinantes sociais dos pacientes, o aplicativo emprega algoritmos de inteligência artificial para estimar a probabilidade de três desfechos: cura, interrupção do tratamento ou óbito. Essa análise preditiva serve como um alerta preventivo, sinalizando aos agentes de saúde quais indivíduos necessitam de um acompanhamento mais rigoroso.

O cenário da tuberculose e o desafio da adesão ao tratamento

A expansão da tecnologia ocorre em um momento crítico para a saúde pública. A tuberculose segue como uma enfermidade de alto impacto no Brasil, mantendo estreita relação com contextos de vulnerabilidade social e desigualdade econômica. Dados compilados pelo Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou 84.368 novos casos de tuberculose em 2025, além de 6.376 mortes contabilizadas no ano anterior.

Para alcançar um elevado grau de precisão, os modelos estatísticos do SMART-TB Mobile foram estruturados com base em uma robusta base nacional que reúne 755.730 notificações da doença, registradas entre 2015 e 2024. A análise desse grande volume de dados permite identificar padrões sociais e demográficos que indicam maior suscetibilidade ao abandono do tratamento.

O abandono do esquema terapêutico é justamente um dos maiores gargalos enfrentados no combate à doença. O tratamento padrão exige o uso contínuo de medicação diária por, no mínimo, seis meses. A interrupção precoce favorece o surgimento de formas multirresistentes do bacilo de Koch (<i>Mycobacterium tuberculosis</i>), tornando a cura mais difícil, o tratamento mais dispendioso e aumentando o risco de mortalidade. Ao antecipar quais pacientes têm maior risco de desistência, a ferramenta permite intervenções de busca ativa antes que o tratamento seja interrompido.

Integração ao Sistema Único de Saúde

A trajetória do projeto teve início em 2020, com uma fase inicial aplicada na rede estadual de Mato Grosso e concluída em 2023. Os resultados colhidos serviram como prova de conceito para embasar a etapa atual de amplitude nacional. Enquanto a plataforma web já está operacional para consulta e gestão, o aplicativo móvel cumpre etapas finais de validação e ajustes operacionais antes da liberação para uso pelas equipes de campo.

O objetivo final dos pesquisadores é a plena homologação e adoção da tecnologia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A colaboração entre UFMT e IFMT evidencia a capacidade da produção científica realizada fora dos grandes centros urbanos em gerar soluções inovadoras de alto impacto social.

O avanço do projeto SMART-TB Mobile reforça como a inteligência artificial aplicada à saúde pode salvar vidas e otimizar recursos públicos. Para acompanhar os principais desdobramentos sobre ciência, inovação, saúde e tecnologia no Brasil, continue navegando pelo portal <b>Capital Capixaba</b> e mantenha-se informado com reportagens completas e de credibilidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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