A deputada federal Benedita da Silva (PT) aparece na liderança da corrida por uma vaga no Senado Federal pelo estado do Rio de Janeiro, somando 30,7% das intenções de voto. O dado é do mais recente levantamento divulgado pelo instituto Paraná Pesquisas nesta terça-feira. Na sequência, o também deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos) surge na segunda colocação com 20,5%, em um cenário de empate técnico com o deputado federal Pedro Paulo (PSD), que alcançou 17,8%.
Como a margem de erro estimada da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, Crivella e Pedro Paulo disputam a segunda posição dentro do limite estatístico. O levantamento retrata o momento em que as articulações partidárias ganham tração no cenário fluminense, projetando um embate marcado pela presença de figuras históricas e fortes lideranças locais.
A dinâmica eleitoral e a renovação de duas cadeiras
O pleito para o Senado em 2026 tem como característica central a renovação de dois terços das cadeiras da Casa Alta do Congresso Nacional, o que permite a cada estado eleger dois representantes simultaneamente. Por essa razão, na metodologia adotada pelo Paraná Pesquisas, cada entrevistado pôde citar até dois nomes de sua preferência. Essa particularidade costuma pulverizar os votos e favorecer nomes com alta notoriedade pública e forte recall junto ao eleitorado.
Benedita da Silva, que já ocupou cargos de destaque no Executivo e no Legislativo — incluindo o governo do estado do Rio de Janeiro e o próprio Senado —, consolida sua liderança sustentada por uma base histórica vinculada ao Partido dos Trabalhadores e a movimentos sociais urbanos. Sua projeção na capital e na Região Metropolitana reflete um capital político construído ao longo de décadas de atuação pública.
Por outro lado, a disputa pela segunda vaga expõe o embate entre correntes políticas consolidadas. Marcelo Crivella, ex-prefeito da capital e ex-senador, mantém penetração expressiva no segmento evangélico e conservador. Já Pedro Paulo, um dos principais aliados do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, apoia-se no desempenho da gestão municipal e no peso da máquina partidária do PSD para rivalizar com Crivella e avançar sobre o eleitorado moderado e de centro.
Pulverização no campo conservador e o desempenho de novos nomes
Além dos primeiros colocados, o levantamento revela uma pulverização expressiva de votos no campo da direita e da centro-direita no estado. Os deputados do PL, Carlos Jordy (14,1%) e Carlos Portinho (13,3%), demonstram a força da legenda bolsonarista no território fluminense, registrando desempenhos competitivos que indicam um eleitorado conservador ainda dividido entre diferentes opções.
Em outro espectro de apoio regional, o ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho (Republicanos), aparece com 8,4% das citações, impulsionado pelo eleitorado da Baixada Fluminense. Na esquerda, a vereadora carioca Monica Benicio (PSOL) registra 6,5%, captando votos em setores progressistas específicos da capital.
Outros nomes testados na pesquisa pontuaram em patamares menores: Marcos Dias (Podemos) obteve 3,4%; Comandante Ribeiro Afonso (Democrata), 2,4%; Paula Falcão (PSTU), 2,3%; Michelly Xavier (UP), 2,1%; Helio Secco (Missão), 1,8%; Luciano Mattos (PRTB), 1,8%; Luiz Eugênio (PCO), 1,6%; Vinicius Benevides (UP), 0,9%; e Ó Clemente (Democrata), 0,1%. O percentual de eleitores que declararam voto em branco, nulo ou nenhum candidato somou 12,9%, enquanto 7,3% afirmaram não saber ou preferiram não opinar.
Aspectos metodológicos e registro da pesquisa
A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 7 de setembro, com a aplicação de entrevistas presenciais e telefônicas junto a 1.600 eleitores em diversos municípios do estado do Rio de Janeiro. O nível de confiança do estudo é de 95%, o que significa que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade dentro do intervalo da margem de erro. O levantamento encontra-se devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de protocolo RJ-01671/2026.
Os números indicam que a corrida pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado permanece aberta, com margem considerável para reconfigurações à medida que o período oficial de propaganda e os debates ganharem espaço. O alto índice de indecisos e a soma de votos nulos e brancos mostram que parcelas relevantes do eleitorado fluminense ainda aguardam definições nas alianças locais.
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Fonte: https://www.metropoles.com