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Do Mineirão às pontes aéreas de Brasília: quem é Ciro Rocha Soares, o influente interlocutor de Daniel Vorcaro

Do Mineirão ao aeroporto de Brasília: quem é Ciro, o amigão de Vorcaro

Nas engrenagens dos bastidores de Brasília, onde o trânsito entre diferentes esferas do poder costuma valer mais do que qualquer credencial formal, o nome do advogado Ciro Rocha Soares emergiu como uma peça-chave no emaranhado de conexões que cerca a crise do Banco Master. Conhecido por sua capacidade de articular conversas e transitar sem barreiras entre tribunais, gabinetes políticos e o empresariado, Ciro viu seu perfil ser projetado ao centro das atenções nacionais após relatórios da Polícia Federal revelarem sua atuação como ponte entre o banqueiro Daniel Vorcaro — hoje preso — e altas autoridades da República, incluindo o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Descrito por interlocutores como um operador habilidoso, capaz de agendar audiências decisivas no Judiciário durante conexões em aeroportos, o advogado construiu ao longo das últimas décadas uma rede de contatos que se estende por Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e o Distrito Federal. Sua entrada no epicentro dos recentes desdobramentos políticos e jurídicos escancara como relações pessoais e profissionais se entrelaçam nos corredores da capital federal, alimentando debates sobre o alcance do lobby informal nas mais altas instâncias da Justiça brasileira.

A gênese de uma influente rede de contatos políticos e judiciais

A trajetória de Ciro Rocha Soares reflete um movimento estratégico de aproximação progressiva das estruturas do Judiciário e da política regional antes de sua chegada definitiva a Brasília. Com raízes divididas entre Minas Gerais e a Bahia, ele iniciou sua projeção no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJ-BA) sob o apadrinhamento do falecido desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra, ex-presidente da Corte e antigo colega de faculdade do pai de Ciro, o também advogado Angelo Soares. Essa conexão familiar abriu as primeiras portas em um meio onde o capital social é determinante.

Formado em Direito, o advogado consolidou sua reputação na defesa de prefeitos e lideranças políticas locais, estabelecendo laços estreitos com figuras de peso do cenário baiano, como o senador Otto Alencar (PSD-BA), de quem se tornou amigo e vizinho de longa data. Foi a partir dessa base sólida na Bahia que Ciro expandiu sua circulação para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. A Justiça Eleitoral serviu como rampa de lançamento para um trânsito cada vez mais fluido entre ministros, parlamentares e grandes empresários.

A força dessa rede ficou evidente no ano passado, durante a entrega da Medalha de Cidadão Baiano a Paulo Gonet na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Proposta pelo deputado estadual Niltinho (PSD-BA), a cerimônia contou com a presença marcante de Ciro, além de lideranças como o senador Jaques Wagner. O evento simbolizou a densidade das relações que o advogado conseguiu cultivar e que, mais tarde, serviriam de ponte entre o universo corporativo de Vorcaro e o topo das instituições públicas.

Do Mineirão aos bastidores da defesa do Banco Master

A relação entre Ciro Rocha Soares e Daniel Vorcaro teve início há cerca de seis anos, longe dos gabinetes de Brasília. O primeiro encontro ocorreu em um ambiente informal: um camarote do Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, durante uma partida entre Atlético Mineiro e Athletico Paranaense. Na ocasião, Vorcaro detinha cotas de patrocínio do clube mineiro e foi apresentado ao advogado pelo empresário da construção civil Saulo Wanderley. O que começou como uma amizade de ambiente esportivo logo evoluiu para uma parceria profissional de grande relevância.

Com o acirramento das investigações sobre as operações do Banco Master, Ciro assumiu formalmente, ao lado do jurista Roberto Podval, a defesa inicial de Vorcaro. No entanto, quando o banqueiro passou a avaliar a possibilidade de fechar um acordo de delação premiada, Ciro optou por se retirar da representação jurídica formal. A decisão baseou-se em sua postura profissional contrária ao instituto da delação, mas a saída do processo não significou o rompimento pessoal. Aos mais próximos, o advogado manteve o discurso de lealdade, afirmando que continuaria ao lado de Vorcaro no momento mais crítico de sua trajetória jurídica.

Ramificações empresariais e investigações paralelas

As conexões de Ciro não se restringem ao espectro estritamente jurídico e político; elas avançam pelo mercado financeiro e negócios de alto padrão. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam a proximidade de Ciro com Marcelo Pessoa, executivo e sócio-sênior da Galapagos Capital. Os registros mostram tentativas de inclusão de Pessoa em compromissos internacionais ao lado de Vorcaro, revelando a constante tentativa de integração entre diferentes núcleos de sua rede de contatos.

O nome de Marcelo Pessoa também se conecta ao universo do luxo por meio da Ilha Parapituba, localidade que integrava o circuito frequentado por Ciro. Administrada pela empresa de compartilhamento de bens Prime You, a propriedade foi parcialmente negociada com o médico Gabriel Almeida. Esse desdobramento brought novos contornos às apurações da Polícia Federal, que passou a investigar a ilha como suposto palco para a divulgação e comercialização de substâncias farmacêuticas sem regulamentação, como a tirzepatida manipulada.

As revelações envolvendo o nome de Ciro Rocha Soares lançam luz sobre as complexas dinâmicas de poder que operam nos bastidores do Judiciário e da política nacional. O caso evidencia como pontes informais, construídas ao longo de anos em ambientes sociais e profissionais diversos, tornam-se centrais em momentos de crise institucional. Acompanhe o Capital Capixaba para continuar informado com reportagens aprofundadas, análises exclusivas e cobertura completa dos principais fatos que movimentam a política, a economia e a Justiça no Brasil.

Fonte: https://www.metropoles.com

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