Uma operação de grande complexidade mobiliza equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Corpo de Bombeiros Militar no interior de Mato Grosso para realizar o resgate do corpo do caminhoneiro <b>Leonardo Pereira Castro</b>, de 49 anos. O motorista mineiro perdeu a vida após se envolver em um grave acidente entre duas carretas na rodovia BR-070, na altura da conhecida Serra do Mangaval, localizada no município de Cáceres, a cerca de 220 quilômetros de Cuiabá.
A colisão, que resultou na queda de um dos veículos pesados em uma ribanceira de difícil acesso e em um incêndio de grandes proporções, exige uma logística delicada por parte dos agentes de resgate. Devido à inclinação acentuada do terreno e ao estado em que ficaram os destroços da carreta carregada de carne, a remoção da vítima e da carcaça do veículo tem se arrastado por dias, provocando a interdição da pista e esquemas de fluxo alternado no tráfego local.
Complexidade no resgate e dinâmica do acidente
De acordo com informações prestadas pelas autoridades policiais e pelos socorristas que atuam no local, o veículo conduzido por Leonardo despencou pelo barranco logo após o impacto com a outra carreta. Com a queda de grande altura, a estrutura do caminhão pegou fogo imediatamente, gerando chamas intensas que se alastraram rapidamente pela vegetação nativa no entorno do trecho de serra.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas de urgência no dia da ocorrência para conter o incêndio florestal e debelar o fogo na cabine antes de dar início às buscas pela vítima. Apesar dos esforços dos militares, que conseguiram localizar o motorista no local do impacto, a confirmação do óbito foi constatada ainda em meio aos destroços retorcidos.
A remoção do corpo, contudo, não pudera ser concluída de imediato em razão do risco de desabamento de rochas, da instabilidade da estrutura metálica e do calor remanescente da queimada. A identificação de Leonardo foi realizada de forma preliminar por meio dos dados da empresa proprietária do veículo de carga. Já o condutor da outra carreta envolvida no acidente foi socorrido com vida e encaminhado para atendimento médico.
Gargalo logístico e perigos na Serra do Mangaval
A Serra do Mangaval é reconhecida historicamente pelas forças de segurança viária como um dos pontos mais sinuosos e perigosos da BR-070. A rodovia federal desempenha um papel estratégico na infraestrutura do país, pois conecta a capital mato-grossense à fronteira com a Bolívia, servindo como um importante corredor para o escoamento de grãos e proteína animal produzidos no Centro-Oeste.
O aclive acentuado, combinado com curvas fechadas e o intenso tráfego de composições pesadas, exige atenção máxima dos condutores e manutenção rigorosa dos sistemas de freio. Para garantir a segurança dos trabalhadores resgatistas e dos motoristas que transitam pelo local durante a operação, a PRF manteve o bloqueio temporário da via, liberando a passagem em intervalos regulares no formato de Pare e Siga, o que gerou retenções ao longo da semana.
Investigação e os desafios do transporte rodoviário
A Polícia Civil de Mato Grosso, em conjunto com a PRF e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), instaurou procedimento para apurar as causas exatas que provocaram a colisão. Peritos estiveram na cena do acidente para analisar marcas de frenagem na pista, a velocidade estimada no momento do impacto e a eventual ocorrência de falha mecânica em um dos veículos.
O trágico episódio reacende o debate sobre a rotina desafiadora e os riscos enfrentados diariamente pelos caminhoneiros nas estradas brasileiras. O transporte rodoviário representa o principal modal de movimentação de mercadorias no país, sujeitando profissionais a longas jornadas e a trechos viários com trechos críticos. A morte de Leonardo, um caminhoneiro experiente natural de Minas Gerais que cumpria rota interestadual, gerou comoção entre colegas de profissão e familiares nas redes sociais.
As equipes de resgate permanecem atuando na BR-070 até que a cabine seja totalmente içada por guinchos de grande porte, permitindo a liberação do corpo para os trâmites junto ao Instituto Médico Legal (IML) e a posterior normalização do trânsito na região.
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Fonte: https://g1.globo.com