PUBLICIDADE

Marataízes emite alerta de saúde pública após confirmar surto de catapora no Litoral Sul capixaba

Aline Gomes

A confirmação de 55 casos de varicela, popularmente conhecida como catapora, colocou o município de Marataízes, no Litoral Sul do Espírito Santo, em estado de atenção sanitária. Os dados foram oficializados por meio de boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus), com registros contabilizados até o último sábado. Além dos casos já confirmados, as autoridades de saúde monitoram duas suspeitas sob investigação, enquanto cinco notificações foram descartadas após análise clínica e laboratorial.

A proliferação do vírus acendeu um sinal de alerta de forma especial na rede de ensino do município. De acordo com o levantamento da Semus, foram registradas ocorrências de infectados distribuídas por 13 creches e escolas da cidade. Apesar do número expressivo de registros em um curto intervalo de tempo, a administração municipal destacou que, até o momento, nenhum paciente desenvolveu complicações graves ou necessitou de internação hospitalar de alta complexidade.

Estratégia de contingência e pioneirismo no Espírito Santo

A resposta do poder público municipal começou a ser desenhada no segundo semestre deste ano. Diante dos primeiros indícios de aumento no número de notificações, a prefeitura publicou, no dia 8 de agosto, um plano de contingência elaborado especialmente para controlar a disseminação da varicela. O documento estabelece fluxos prioritários de atendimento nas unidades básicas, busca ativa de assintomáticos e regras claras de isolamento temporário para os indivíduos contaminados.

Com essa iniciativa, Marataízes tornou-se o único município capixaba a estruturar e aplicar uma estratégia formal direcionada exclusivamente ao enfrentamento do surto de varicela nesta temporada. A ação segue rigorosamente as recomendações técnicas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Equipes da vigilância epidemiológica municipal atuam de forma integrada com a comunidade escolar para monitorar contatos próximos e conter o avanço do contágio nos ambientes de convivência infantil.

Entenda a catapora: contágio, sintomas e sazonalidade

A varicela é uma infecção viral altamente contagiosa, provocada pelo vírus Varicela-Zoster. Embora apresente uma evolução considerada benigna na imensa maioria das crianças, a doença exige acompanhamento atento para prevenir infecções bacterianas secundárias na pele ou quadros respiratórios mais graves. Historicamente, a maior incidência da circulação viral ocorre entre o final do inverno e o início da primavera, período em que mudanças bruscas de temperatura e maior permanência em ambientes fechados favorecem a transmissão.

O sinal clínico mais marcante da catapora é o aparecimento de lesões na pele, acompanhadas de intensa coceira. Essas feridas apresentam o chamado polimorfismo, evoluindo por diferentes estágios: iniciam como pequenas manchas avermelhadas (máculas), passam a elevações na pele (pápulas), transformam-se em bolhas cheias de líquido transparente (vesículas), evoluem para feridas com conteúdo purulento (pústulas) e, por fim, secam formando crostas. É na fase inicial, ao surgirem as primeiras vesículas, que o potencial de transmissão do vírus atinge o seu nível mais elevado.

O contágio ocorre principalmente pelo contato direto com o fluido expelido pelas bolhas na pele ou pela inalação de gotículas liberadas pela fala, tosse ou espirro de uma pessoa infectada. A transmissão indireta também pode acontecer por meio do manuseio de objetos e superfícies recentemente contaminados por secreções respiratórias ou vesiculares, a exemplo de brinquedos, talheres e materiais escolares.

Prevenção, vacinação e orientações às famílias

A vacinação permanece como o meio mais seguro e eficaz para prevenir a catapora e evitar o surgimento de novos surtos comunitários. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a imunização contra a varicela no Calendário Nacional de Vacinação Infantil, contemplando doses aplicadas a partir dos 15 meses de idade, por meio da vacina tetra viral ou da dose isolada contra a varicela. Manter a caderneta de vacinação das crianças atualizada reduz significativamente os riscos de quadros moderados ou graves.

Para evitar que o vírus continue a se espalhar nas salas de aula e espaços públicos, a Semus orienta que pais e responsáveis monitorem com frequência a saúde das crianças. Caso surjam sintomas como febre baixa, mal-estar, perda de apetite ou as primeiras manchas avermelhadas no corpo, a instrução é afastar o estudante da rotina escolar e procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde para diagnóstico correto e orientação médica.

O monitoramento epidemiológico na região prossegue de forma contínua, com a previsão de emissão de novos boletins pelas autoridades locais conforme o cenário avance. O cumprimento rigoroso das medidas de isolamento residencial durante o período de transmissibilidade é fundamental para interromper a circulação do vírus no município.

Para acompanhar os desdobramentos deste surto, as principais orientações de saúde pública e os fatos marcantes do Espírito Santo, continue navegando no Capital Capixaba. Nosso compromisso é levar até você jornalismo transparente, com informação ágil, apurada e relevante para o seu cotidiano.

Fonte: https://www.folhavitoria.com.br

Leia mais